Cerca de 120 metalúrgicos montaram acampamento no pátio da fabricante de tubulações de aço Tyco Dinaço ontem, depois de invadirem a empresa no início da manhã, na Vila Jaguara (zona oeste da capital paulista). Os trabalhadores protestam contra o fechamento da unidade da capital paulista e a demissão de funcionários por telegrama, no sábado.

Segundo o sindicato dos metalúrgicos de São Paulo, a empresa cortou todos os 162 postos de trabalho. A Tyco confirmou a demissão de 120 pessoas e informou que a área de vendas, que emprega outras 30, vai ser mantida.

Hoje, às 14 horas, os sindicalistas vão se reunir com representantes da empresa para na tentativa de reverter as demissões. Inicialmente, o sindicato exigia um pacote de benefícios para os demitidos, mas mudou de opinião depois de conversar com os trabalhadores durante a tarde. "O trabalhador não está preocupado com indenização na demissão, está preocupado com o emprego", disse o diretor do sindicato, David de Carvalho.

Caso não cheguem a um acordo, os trabalhadores estão preparados para passar vários dias no pátio da empresa. "Já trouxemos barracas, colchões e hoje (ontem) à noite vamos fazer um churrasco aqui", disse o assessor do sindicato, Isaac Gabriel.

Diretor geral da Tyco, Valdecir Bersaghi disse que os cortes ocorreram por causa da crise econômica e que a produção será unificada em Caxias do Sul (RS), onde serão gerados 40 novos empregos. "Concentrar a produção irá proporcionar uma redução significativa de custos."

No ano passado, parte dos metalúrgicos já havia sido avisada que a Tyco passava por dificuldades. "Antes das férias coletivas nos disseram que teria cortes", afirma o operador de máquina Adonias Cardoso, de 41 anos.

Segundo os trabalhadores, há duas semanas a empresa fechou uma fábrica no bairro da Mooca, zona leste da capital paulista. A Tyco não confirmou a informação.

O sindicato dos metalúrgicos de São Paulo aprovou ontem mais um acordo coletivo para suspensão do contrato de trabalho na Basso Componentes Automotivos. O acerto com o sindicato prevê a suspensão do contrato de até 50 dos 240 funcionários da empresa por um período de dois a cinco meses.

Duas outras indústrias da capital paulista, a Mauser e a Novex adiaram por uma semana a decisão da negociação sobre a flexibilização do contrato de trabalho com o sindicato. "As empresas querem ver se essa semana vai sair algum acordo entre as centrais sindicais, federações das indústrias e governo", disse o sindicalista Carvalho.

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