Confiante na capacidade de o Brasil suportar o impacto da crise internacional no crescimento econômico, o ministro da Previdência Social, José Pimentel, disse ontem que o governo trabalha com a meta de zerar o déficit das contas da previdência urbana em 2010. Essa tese do rombo na Previdência vai sair da agenda, afirmou.

O ministro minimizou os efeitos da crise financeira no crescimento e, conseqüentemente, na arrecadação da Previdência. Segundo ele, o mercado de consumo do País vem se expandindo e vai sustentar o crescimento. "O esforço dos empreendedores é continuar com o processo de crescimento muito forte. Nós temos um mercado nacional de massa significativo", disse.

De acordo com Pimentel, a Previdência Urbana tem de se autofinanciar. "A previdência rural é sempre subsidiada. Não é contributiva." Ele defendeu a mudança na contabilidade da Previdência para separar os gastos com o pagamento dos benefícios para aposentados das zonas urbana e rural. "A Constituição de 88 determinou que a previdência rural é subsidiada", justificou.

Na avaliação do ministro, a melhoria das contas da previdência urbana tem sido obtida graças ao aumento da formalização do trabalho, à recuperação da massa salarial, com a maior produtividade das empresas, e ao controle maior na gestão das despesas e receitas. Do déficit de R$ 4,060 bilhões registrado em agosto, R$ 3,131 bilhões são referentes à previdência rural.

Segundo Pimentel, a tendência de melhora das contas da Previdência Social tem se mantido mesmo com o aumento da salário mínimo acima da inflação. "A Previdência suporta o ganho do salário mínimo", afirmou.

Ele previu um déficit de R$ 38 bilhões nas contas do INSS em 2008. Segundo ele, a estimativa é menor que a previsão de R$ 44 bilhões incluída no Orçamento da União. "Foi um erro saudável", destacou o ministro, que, como deputado federal, foi relator da proposta de Orçamento de 2008.

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