RIO - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou que o ministério deve anunciar nos próximos dias uma nova revisão na meta de exportações para este ano. Atualmente, a estimativa da pasta é atingir US$ 190 bilhões em vendas ao exterior. Esse valor já é uma revisão em relação à previsão inicial de US$ 180 bilhões.

A estimativa atual do ministério é de US$ 190 bilhões em exportações, mas já estamos preparando para os próximos dias uma nova revisão para este valor , disse Jorge, que participa hoje do Fórum Especial do Instituto Nacional de Altos Estudos, no Rio de Janeiro.

A revelação sobre a nova revisão foi feita pelo ministro durante apresentação na qual ele usou dados para tentar mostrar que, apesar do ressurgimento do déficit em transações correntes este ano, a robustez do setor externo garante maiores condições para que o país equilibre suas contas.

O ministro fez questão de frisar que, apesar do déficit em transações correntes ter atingido 0,61% do Produto Interno Bruto (PIB) no acumulado até julho, hoje o Brasil é muito mais capaz de gerar divisas para equilibrar suas contas do que nos anos de 1990. Não fomos capazes de financiar nossa conta de serviços exclusivamente por meio de nosso saldo comercial, mas esse déficit já foi muito mais expressivo, superior a 4% do PIB em 1999, quando nosso fluxo comercial era de apenas US$ 100 bilhões , ressaltou o ministro.

Miguel Jorge afirmou que hoje o fluxo de comércio do país já está na casa dos US$ 300 bilhões, o equivalente a 21% do PIB. Segundo ele, as exportações passaram de 6% do PIB em 1995 para 12% do PIB atualmente.

Embora tenha afirmado que, no momento de crise internacional, com liquidez limitada nos mercados mundiais, o Brasil não pode continuar dependendo do financiamento externo, o ministro ressaltou que por ora o fluxo de recursos internacionais tem contribuído para que o país equilibre com tranqüilidade suas contas externas.

Mesmo hoje, quando do déficit em transações correntes voltou a aparecer, os fluxos de investimento, não apenas de curto prazo, tem suprido com folga esse resultado deficitário , sustentou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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