O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita, avaliou hoje que a crise internacional deve estar em sua fase aguda. Segundo ele, isso sugere que podemos estar caminhando para sua estabilização.

"A crise chegou ao seu momento agudo", disse.

Segundo o diretor, as iniciativas extraordinárias adotadas pelo governo americano, com o anúncio do pacote de medidas de socorro aos bancos, sugerem essa avaliação. Para Mesquita, o pacote negociado com o Congresso dos Estados Unidos não é garantia de que a crise terminou, mas é um primeiro passo nessa direção. Ele ponderou que as repercussões da crise, no entanto, vão permanecer pela economia mundial por mais tempo.

Durante entrevista para detalhar o Relatório Trimestral de Inflação do BC, Mesquita comentou o aumento das turbulências no dia de hoje e disse que é difícil fazer uma avaliação em tempo real do quadro e afirmou que o foco de preocupação hoje se deslocou dos Estados Unidos para a Europa. Ele disse que o mercado tende a continuar volátil e os preços também.

Balança comercial

Mesquita disse que a queda do superávit da balança comercial "explica metade da deterioração da conta corrente". Ele afirmou que o aumento do envio de remessas de lucros e dividendos de empresas estrangeiras com sede no Brasil explica "a outra metade" da piora dos números. Mesquita chamou a atenção para o aumento do volume de remessas, que, na sua opinião, reflete a melhora da lucratividade de companhias no Brasil e a evolução do estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos no País.

Ele completou com a lembrança de que alguns setores têm enfrentado dificuldades no Hemisfério Norte. "Não surpreende que parcela significativa das remessas seja feita pelo setor automotivo e financeiro", afirmou. Mesquita também comentou que a saída de lucros e dividendos está se tornando mais importante para o balanço de pagamentos que o gasto com juros. Essa mudança, na avaliação de Mesquita, é positiva porque lucros só existem conforme o ritmo da economia. Já a despesa com juros, citou, ocorre independentemente do cenário.

Câmbio

Para o diretor de Política Econômica do BC, o comportamento das últimas semanas da taxa de câmbio mostra "uma mudança na trajetória de apreciação do real." Esse movimento, segundo ele, é observado tanto na comparação da moeda brasileira frente ao dólar norte-americano, como diante do euro. Mesquita afirmou que a taxa de câmbio no Brasil "parece reagir menos ao risco País e mais ao comportamento das commodities (matérias-primas)".

Mesquita informou também que a partir da próxima semana, o BC vai divulgar, todas as quartas-feiras, o movimento do mercado de câmbio. Segundo ele, a divulgação terá detalhamento diário, com data de corte da sexta-feira da semana anterior à divulgação. Hoje, o movimento de câmbio é divulgado quinzenalmente e os dados são consolidados para todo o período, sem detalhamento de área. Segundo ele, a medida mostra a serenidade com que o BC atua diante da atual turbulência externa. Essa tranqüilidade, explicou, é fruto da significativa melhora dos indicadores de vulnerabilidade externa, que deixam o Brasil em melhor situação para enfrentar a grave crise internacional.

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