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BRASÍLIA - O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Mário Mesquita, disse hoje que a serenidade é a melhor arma para evitar efeitos sobre a economia real brasileira da crise externa, que ele classifica como extrema e certamente a pior dos últimos 20 ou 30 anos. Sem arriscar prognósticos para a evolução da atividade econômica em 2009, o que promete fazer só em dezembro próximo, o diretor do BC voltou a afirmar que o Brasil tem indicadores favoráveis para enfrentar a crise com calma e transparência. Para 2008, a autoridade monetária elevou de 4,8% para 5%, a estimativa para a variação real do Produto Interno Bruto (PIB). O Banco Central que age de forma atabalhoada não contribui para minimizar efeitos de turbulências internacionais, afirmou ele.

"Estamos observando os acontecimentos e em contato com outros bancos centrais", completou.

Mesquita reiterou que a economia brasileira "não está totalmente imune" aos respingos danosos da crise financeira internacional, lembrando que há "uma perda de riquezas" forte, principalmente na Bovespa. E voltou a reafirmar que o país "está melhor preparado do que no passado", para enfrentar a crise.

Ele citou que a melhoria nos indicadores de sustentabilidade externa do país, como reservas internacionais equivalentes ao triplo dos vencimentos de dívida externa nos próximos 12 meses.

No relatório trimestral de Inflação de setembro, o BC aponta que as reservas deverão subir cerca de US$ 8,5 bilhões, para US$ 216,5 bilhões ao fim de 2009. Embora também preveja uma escassez no ingresso de dólares, apontando que o setor bancário deverá reduzir suas reservas no exterior em US$ 7,4 bilhões.

Ao falar em transparência, Mesquita anunciou que a partir da próxima quarta-feira, a autoridade monetária volta a publicar estatísticas sobre o movimento diário de câmbio contratado pelos bancos, com data de corte da sexta-feira anterior. Esses dados foram banidos em 2003, com a divulgação esporádica do movimento cambial.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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