O corte conjunto de juros promovido por vários bancos centrais do mundo, a injeção pelo Reino Unido de US$ 87 bilhões nos bancos e a decisão do Banco da Inglaterra de fornecer outros 200 bilhões de libras em liquidez para as instituições foram insuficientes para restaurar a confiança nos mercados. A percepção dos analistas é de que as medidas não devem frear a pressão recessiva nos países desenvolvidos e novos cortes de juros ainda podem ser necessários.

Diante desse sentimento, as bolsas de valores globais tiveram um dia de intenso vaivém. À tarde, subiram, mas, perto do fim dos negócios, inverteram a direção e caíram.

O Índice Dow Jones, o mais importante da Bolsa de Nova York, perdeu 2% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 0,83%. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) desvalorizou 3,85% - no acumulado de 2008, o recuo já beira os 40%.

"O mercado está conhecendo o que é volatilidade e aversão ao risco como nunca", disse o diretor de uma corretora que está há quase 40 anos no mercado. "Só tinha visto isso em 1970, 1971 e em 1987. Mas era relacionado a eventos internos. O que está acontecendo hoje é muito diferente."

As ações da Petrobrás voltaram a ceder, alinhadas à queda dos preços do petróleo. As preferenciais da estatal perderam 5,65% e as ON recuaram 4,69%. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, em inglês), os contratos de petróleo para novembro atingiram nova mínima no ano, cotados por US$ 86,05 por barril.

No mercado americano, prevaleceu o sentimento de que a economia global caminha para uma recessão e mais empresas do setor financeiro poderão falir. Nos três primeiros pregões da semana, o Dow Jones acumulou queda de 11,68%, após uma perda de 7,34% na semana passada; para efeito de comparação, na semana de 19 de outubro de 1929, a pior do crash, o Dow havia caído 8,2%.

Em 1987, na semana de outubro iniciada com a Segunda-Feira Negra, o Dow havia caído 13%. Desde o começo de outubro deste ano, o Dow acumula uma queda de 15%, comparável a uma perda de 20% em outubro de 1929 e a uma queda de 23% em outubro de 1987.

"O que estamos fazendo aqui é combater por confiança, por percepção. Eles estão removendo o que está errado e dando confiança e liquidez para que atravessemos a crise. A pergunta que eu faço é: por que diabos eles demoraram tanto?", indagou Peter McCorry, da Keefe Bruyette & Woods. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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