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Merrill Lynch antecipou bônus a executivos, diz promotor

NOVA YORK- O banco norte-americano Merrill Lynch adiantou secretamente a data de pagamentos de bônus referentes a 2008, tendo gasto US$ 3,6 bilhões com esse benefício para mais de 39 mil empregados quando estava à beira de se fundir com o Bank of America no ano passado. Os quatro principais executivos teriam recebido, juntos, US$ 121 milhões. As afirmações foram feitas pelo promotor geral de Nova York, Andrew Cuomo, em carta para o deputado Barney Frank, que preside o comitê de serviços financeiros da Câmara de Representantes dos EUA.

Agência Estado |

Cuomo, que está investigando compensações para executivos de empresas que receberam ou deverão receber dinheiro do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp, na sigla em inglês), disse que está coletando informações sobre quais bônus de 2008 o Merrill pretendia pagar para os executivos desde outubro.

Segundo o promotor, "parece que, em vez de divulgar seus planos de bônus de maneira transparente como foi pedido pelo meu escritório, o Merrill Lynch secretamente adiantou a data planejada de distribuição dos benefícios e recompensou fartamente seus executivos". "O Merrill Lynch nunca antes pagou bônus numa data tão antecipada, e esse cronograma lhe permitiu distribuir as elevadas recompensas antes da divulgação de seus terríveis resultados do quarto trimestre e antes de sua planejada aquisição pelo Bank of America", disse Cuomo.

No mês passado, o promotor intimou John Thain, ex-executivo-chefe do Merrill, e J. Steele Alphin, diretor administrativo do Bank of America, como parte de sua investigação.

O deputado Barney Frank, em entrevista à rede de televisão norte-americana CNBC, disse não ter visto ainda a carta de Cuomo, mas foi informado pelo promotor na semana passada de que a carta "estava vindo". No documento, Cuomo afirma que a decisão do Merrill de pagar bônus "prematuramente" e a aparente cumplicidade do Bank of America levantam "questões sérias e perturbadoras".

"Uma questão perturbadora que precisa ser respondida é se o Merrill Lynch e o Bank of America atribuíram prazos para o pagamento dos bônus de maneira a obrigar os contribuintes a bancá-los por meio do financiamento da transação", disse Cuomo. O BofA recebeu US$ 25 bilhões do governo norte-americano para comprar o Merrill, incluindo US$ 10 bilhões que o Merrill deveria receber caso a fusão não tivesse sido concluída.

Na investigação sobre as recompensas, Cuomo disse ter descoberto que 696 funcionários do Merrill receberam mais de US$ 1 milhão em bônus cada um, sendo que 28 deles receberam juntos US$ 499 milhões.

O porta-voz do BofA Scott Silvestri disse em comunicado que o Merrill era uma empresa independente no ano passado. "O BofA pediu que o valor dos bônus fosse reduzido, inclusive os que foram pagos para os executivos de cargos mais elevados. Embora nós tivéssemos o direito de ter sido consultados, a decisão final cabia a eles (ao Merrill) tomar. Além disso, uma quantia substancial dos bônus estava garantida em contrato".

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