Berlim, 14 jun (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram alarde hoje da sua coesão, apesar das diferenças entre os dois sobre como atuar perante as crises atuais e futuras da União Européia (UE), em uma tentativa de mostrar solidez em meio ao panorama turbulento que domina a Europa.

Berlim, 14 jun (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram alarde hoje da sua coesão, apesar das diferenças entre os dois sobre como atuar perante as crises atuais e futuras da União Européia (UE), em uma tentativa de mostrar solidez em meio ao panorama turbulento que domina a Europa. Merkel desviou das especulações sobre uma ajuda à Espanha - em que insistiram os meios de comunicação alemães nos últimos dias -, ao afirmar que não vai participar de tais rumores, ao mesmo tempo em que lembrou que foi aprovado um "guarda-chuva para toda a zona do euro" que pode ser ativado a qualquer momento, "para a Espanha ou para outro país". "A notícia importante, para os mercados e para os países, é que existe esse guarda-chuva", afirmou Merkel, ao fim de uma reunião de mais de uma hora e meia com Sarkozy em Berlim, emoldurada por turbulências em todas as direções - bilaterais, na zona do euro e dentro do próprio partido de Merkel-, complementadas por rumores de uma ruptura iminente da coalizão governante na Alemanha. Merkel e Sarkozy sublinharam seu propósito de apresentar uma posição conjunta na próxima cúpula do G20 (G20, bloco de países ricos e emergentes) em Toronto porque, disseram, "não estamos satisfeitos" com o alcançado na reunião anterior do grupo no que tange a uma maior regulação dos mercados financeiros. Para isso, os governantes pretendem enviar uma carta ao primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, na qual defenderão propostas comuns como a criação de uma taxa bancária para que as instituições financeiras contem com uma rede de segurança no caso de uma nova crise, e a implantação de um imposto para as transações. Quando a coletiva passou para o terreno da possibilidade de um Governo econômico conjunto entre os 16 países da zona do euro, que Sarzoky defende, mas Merkel até agora rejeita, os dois pisaram em ovos. "Não se trata de criar instituições novas, mas de abordar os problemas no marco dos 27 membros da UE e, se for o caso, atuar nos 16", disse Merkel, ratificando sua postura a favor de englobar todos os membros do bloco. Já Sarkozy, por outro lado, insistiu na "rapidez de atuação" e "dinamismo" para reforçar seu argumento a favor do Governo econômico da zona do euro. Apesar de teoricamente a reunião ser preparatória para a cúpula da UE da próxima quinta-feira, na qual Berlim e Paris querem se apresentar, nas palavras de Merkel, "com uma única voz", nenhum dos dois falou mais a esse respeito. A reunião foi adiada em uma semana sem maiores explicações. Merkel tinha anunciado nesse mesmo próprio dia o draconiano pacote de economia - 80 bilhões de euros até 2014, o mais severo na história da República Federal da Alemanha - criticado por Sarcozy dois dias depois, que agora diz que "é assunto da política econômica da chanceler". No entanto, após a explosão da crise grega as diferenças de sempre entre os dois líderes passaram de latentes para escancaradas. Enquanto Sarkozy aposta nas ajudas rápidas, Merkel reitera seu apelido de "Madame Não" pisando no freio. A suposta coesão encenada hoje tinha uma solidez parecida com as declarações nas fileiras da coalizão de Merkel ao afirmar que a aliança de Governo deve aguentar toda a legislatura. As tensões na coalizão - União Democrata-Cristã (CDU), União Social-Cristã da Baviera (CSU) e Partido Liberal (FDP)- ultrapassaram o âmbito das diferenças recorrentes em matéria fiscal e sanitária e se estenderam para o blecaute nuclear e a reforma do Exército. A prova de fogo vai ser a eleição presidencial, no dia 30 de junho, quando o candidato de Merkel, o barão Christian Wulff, pode ficar para trás. Numericamente Wulff, primeiro-ministro da Baixa Saxônia, tem uma cômoda maioria na Assembleia Federal, à qual compete sua designação. No entanto, o próprio Wulff advertiu hoje que as tensões são um perigo para sua eleição, da qual podia sair beneficiado o candidato designado pela oposição, Joachim Gauck, o carismático ex-dissidente da Alemanha comunista e responsável pela tutela dos arquivos da Stasi (antiga Polícia política da Alemanha Oriental) após a queda do Muro de Berlim. Um fracasso da candidatura de Wulff precipitaria, segundo todos os analistas, a queda do Governo de Merkel. EFE gc-jcb/pb

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