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Chanceler alemã diz que plano de resgate de US$ 1 trilhão da UE dá somente mais tempo para zona do euro aproximar economias

Merkel denunciou o que chamou, na semana passada, de especulação contra o euro, mas argumentou que líderes europeus só podem acalmar a situação resolvendo as grandes diferenças econômicas entre os 16 países que adotam a moeda.

"Não fizemos nada mais do que ganhar tempo para ajustar as diferenças em competitividade e déficits orçamentários entre os países da zona do euro", afirmou. "Se simplesmente ignorarmos esse problema, não seremos capazes de acalmar a situação."
Falando para sindicalistas, Merkel apoiou o plano de resgate acordado por líderes da União Europeia há uma semana com o objetivo de evitar que a crise grega contagiasse outras economias da zona do euro.

Merkel, que até recentemente era relutante com planos de resgate, afirmou que era preciso mais. "Nas semanas que passaram, vimos como tem havido especulação contra o euro. Infelizmente essa especulação só é possível porque há diferenças econômicas consideráveis entre os países da zona do euro."
O responsável pela economia do bloco se juntou aos chamados para que se preste atenção nas dívidas acumuladas pelos países. "Pelo fato de os países do euro serem conectados pela moeda, é importante prevenir que políticas econômicas débeis num país ameacem o sucesso de outros", afirmou Olli Rehn, comissário europeu de Assuntos Monetários. "A supervisão das políticas tem focado nos déficist, e as dívidas cresceram", escreveu em um jornal finlandês.

Reunião. Hoje, os ministros das Finanças da zona do euro se reúnem em Bruxelas para tentar encontrar nova solução para o colapso da moeda, que continua em queda mesmo após o anúncio do plano de ajuda.

As preocupações persistentes sobre a saúde econômica e orçamentária da zona do euro acabaram com a tranquilidade do início da semana passada, que foi motivada pelo plano de ajuda inédito de 750 bilhões destinados aos países em dificuldade.

Os ministros vão buscar respostas a um paradoxo: como evitar que os governos que adotam medidas de austeridade para reduzir déficits e acalmar os mercados enfrentem reação negativa desses mercados ante os efeitos nocivos que essas medidas terão no consumo e crescimento.

O euro, que atingiu o patamar mais baixo desde outubro de 2008 (US$ 1,2355), não recebeu apoio do conselheiro econômico do presidente americano Barack Obama, Paul Volcker, que acredita em uma eventual "desintegração" da zona do euro.

Para evitar que o plano de ajuda não seja apenas para ganhar tempo, a Comissão Europeia propôs na última quarta um controle preliminar dos projetos orçamentários nacionais e quer instituir um arsenal de sanções profundas para os países laxistas.

O ministro alemão da Economia Wolfgang Schäuble defenderá "nos próximos dias" junto aos seus colegas da zona do euro a criação de "um programa de comum acordo" de redução dos déficits orçamentários, informou a revista alemã Der Spiegel.

A chanceler alemã Angela Merkel solicitou aos outros membros do grupo que "organizassem suas finanças públicas" e "melhorassem sua competitividade" para estabilizar a moeda.

Depois da Grécia, Espanha e Portugal anunciaram na quarta-feira e quinta-feira, respectivamente, importantes medidas de austeridade, que incluem a redução de salários públicos para os espanhóis e a subida do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) para os portugueses. Já a Itália está estudando um plano de rigor que incluiria o congelamento dos salários e cortes de gastos públicos.

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