Brasília, 27 out (EFE).- Os países do Mercosul concluíram hoje que o bloco precisa aumentar o comércio inter-regional e fortalecer a integração financeira para fazer frente à atual crise internacional.

Os ministros das Relações Exteriores e de Economia dos dez países do chamado Mercosul ampliado, que se reuniram hoje em Brasília com os presidentes de seus bancos centrais para analisar a conjuntura mundial, destacaram que a integração funcionaria como uma espécie de escudo contra a crise.

Nesse sentido, alegaram que um aumento da integração, especialmente do comércio entre os países da região, pode ajudar a minimizar as perdas decorrentes da falta de liquidez no mercado e de eventuais quedas nas exportações para os países ricos.

Da reunião, em que foram discutidas propostas, mas não foram adotadas medidas concretas, participaram representantes dos membros plenos do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, cujo processo de adesão está sendo concluído) e dos países associados (Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru).

Em comunicado, os ministros reafirmaram sua "convicção de que o aprofundamento da integração regional e o fortalecimento dos laços comerciais e de cooperação financeira podem contribuir (...) para o aumento do crescimento" e ajudar a "preservar e ampliar as conquistas econômicas e sociais dos últimos anos".

"Coincidimos em que é preciso valorizar o patrimônio de integração que construímos e reforçar nosso comércio", disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim, em entrevista coletiva.

Por sua vez, o chanceler argentino, Jorge Taiana, destacou a importância de se reconhecer "o processo de integração e de comércio" para "fazer frente à crise".

"A resposta que podemos dar à crise é o aumento do comércio inter-regional. Quanto maior a crise, maior deve ser a integração", disse o vice-ministro de Relações Econômicas e Integração do Paraguai, Óscar Rodríguez Campuzano.

No comunicado, os ministros também manifestaram a necessidade de serem adotados mecanismos que permitam à região ter uma integração financeira para para enfrentar a falta de liquidez internacional com recursos próprios.

Dentre esses mecanismos, foram citados especificamente o Banco do Sul, cuja ata constitutiva foi assinada em dezembro passado, em Buenos Aires, e que, segundo o comunicado, está orientado "ao desenvolvimento mais harmônico, equitativo e integral da América do Sul".

O chefe da diplomacia venezuelana, Nicolás Maduro, disse a jornalistas que uma das propostas discutidas foi a coordenação e a aceleração da estratégia regional para a construção de um "sistema financeiro do Sul".

"Temos que construir um sistema que permita dar uma resposta à crise de hegemonia que vive o dólar como moeda dominante nos últimos 60 anos e avançar em direção à criação de mecanismos de câmbio que construam bases para uma moeda comum na América do Sul", afirmou.

Maduro disse que outras ferramentas desse sistema são a implementação imediata do Banco do Sul e a criação de um fundo de reservas que sirva para financiar o desenvolvimento regional.

O comunicado também menciona mecanismos existentes no Mercosul, como o uso de moedas locais para o comércio entre os países da região, já implantado entre Brasil e Argentina. EFE cm/sc

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