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'Mercosul é mais interessante para a Europa hoje', diz comissário

Economia mais desenvolvida e sinalização de que bloco estaria mais aberto a fazer concessões motivam Europa a retomar negociações

BBC Brasil |

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O comissário europeu de comércio, Karel de Gucht, disse que o Mercosul é hoje mais interessante para a União Europeia do que há seis anos, quando as negociações entre os dois blocos foram interrompidas.

Em entrevista à BBC Brasil, o político belga, que recebeu a incumbência de retomar as negociações entre os dois blocos econômicos, disse que a União Europeia só concordou em tentar novamente um acordo neste ano porque o Mercosul se mostrou mais aberto a fazer concessões desta vez.

"O Mercosul é hoje uma economia mais desenvolvida (do que há seis anos), apesar de o grau de desenvolvimento ser diferente em cada um dos países ", disse De Gucht. "Mas a economia da região vem se desenvolvendo de forma sustentável, com crescimento de mais de 5%, o que significa que o mercado se tornou mais interessante para a Europa."

Segundo o comissário europeu, a prova da importância do Mercosul para a União Europeia está nos investimentos estrangeiros diretos.

"O estoque de investimentos externos dos 27 países da União Europeia no Mercosul é de 165 milhões de euros (cerca de R$ 378 milhões), mais do que a soma de todos os investimentos somados do bloco em Rússia, Índia e China", afirma.

Negociações
Na década passada, a União Europeia procurou fechar acordos de redução de barreiras comerciais com diversos países e blocos no mundo. Com o Mercosul, as negociações fracassaram em 2004 devido à falta de concessões de ambos os lados.

Mercosul e União Europeia decidiram deixar qualquer avanço comercial entre os dois blocos ser englobado pelas discussões da Rodada Doha – uma iniciativa global de redução de barreiras comerciais que não foi concretizada, após diversas tentativas.

Neste ano, sem mais a perspectiva de se alcançar um acordo dentro da Rodada Doha, a União Europeia e o Mercosul anunciaram que retomariam a tentativa de fechar um tratado comercial.

O comissário europeu vê com otimismo a retomada das negociações. Durante uma visita ao Brasil e Argentina na semana passada, ele disse que os dois blocos podem fechar um novo acordo até meados de 2011.

"O mundo mudou, e é do interesse mútuo estabelecer uma relação econômica e comercial mais próxima", afirma.
"Também é fato que não estamos começando do zero. Houve negociações no passado, e estamos partindo deste ponto. Todos sabem onde estão os problemas. Na Europa, os problemas estão nas exportações agrícolas do Mercosul para a Europa, e no outro sentido há os direitos de propriedade intelectual, as denominações de origem (de produtos agrícolas), leis, etc.", afirma.

"Mas também vimos que numa fase preliminar, o Mercosul se mostrou disposto a apresentar ofertas melhores nos setores industriais e de serviços. Nós sabemos o que precisamos discutir, e com isso, tudo passa a ser só uma questão de vontade política."

O comissário europeu não revela quais pontos o Mercosul estaria disposto a ceder em uma negociação.
De Gucht acredita que uma das diferenças do processo atual é que todos conhecem bem as realidades de cada bloco e ninguém estaria disposto a perder anos em uma rodada de negociações infrutíferas.

"Todos terão que se decidir agora. Aceitar a situação e fechar um acordo ou chegar à conclusão de que nenhum acordo é possível", afirma.

Em outubro, ele receberá a visita do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
 

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