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Mercosul condena xenofobia européia e subsídios agrícolas

Os presidentes do Mercosul, reunidos nesta terça-feira em Tucuman, norte da Argentina, manifestaram-se contra a política de imigração européia, demonstrando também preocupação com a crise mundial de alimentos e a concessão de subsídios agrícolas.

AFP |

Os presidentes Cristina Kirchner (Argentina), Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Nicanor Duarte (Paraguai), Evo Morales (Bolívia), Hugo Chavez (Venezuela), Michelle Bachelet (Chile) e Tabaré Vazquez (Uruguai), e os ministros representantes de Equador, Colômbia e Peru condenaram com firmeza a nova política de imigração da União Européia (UE), a "Normativa de Repatriação", recebida pelo continente sul-americano como uma manifestação xenófoba.

"Vamos aumentar o tom em uníssono contra a lei da UE favorável à detenção e à expulsão dos estrangeiros em situação irregular em território europeu", disse Michelle Bachelet.

Pouco antes, Lula demonstrou preocupação com "o vento frio da xenofobia que sopra mais uma vez falsas respostas aos desafios da economia e da sociedade", em discurso.

"É injusto", afirmou por sua vez Hugo Chavez, para quem a diretriz européia é a "lei da vergonha".

Evo Morales anunciou que não descarta a adoção de medidas de represália contra este texto europeu aprovado em 17 de junho pela UE e que ele chamou de "Normativa da Vergonha", evocando por exemplo a interrupção das negociações comerciais em andamento entre a Comunidade Andina de Nações e a UE.

Neste sentido, nesta terça-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR) fez um apelo à presidência francesa da UE contra um enrijecimento da política migratória.

A Cúpula do Mercosul examinou a crise mundial de alimentos, no momento em que a ONU lançou alerta sobre o risco de 800 a 860 milhões de seres humanos passarem fome. Na América Latina, cerca de 200 milhões de pessoas, ou seja 40% da população, vivem na pobreza.

A presidente da argentina chamou atenção também para os preços do petróleo, que estão perto dos US$ 140 o barril, e os da soja, a quase US$ 600 a tonelada.

A reunião do Mercosul fez um apelo ao mundo industrializado para que reduza significativamente seus subsídios à agricultura e elimine gradualmente os subsídios à exportação.

Os subsídios são prejudiciais à produção agrícola de inúmeros países em desenvolvimento e sua segurança alimentar, haviam afirmado os ministros da Economia do Mercosul, segunda-feira, em uma declaração sobre a Rodada de Doha da OMC.

dm/lm/sd

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