O Mercosul ampliou a oferta de abertura de seu mercado para bens da União Europeia (UE), mas as tarifas de setores sensíveis devem permanecer até 2025. A oferta foi feita na esperança de se obter um acordo ainda este ano.

Em maio, chefes de governo do Mercosul e da UE se reúnem em Madri para tentar fechar a primeira parte do acordo.

A nova proposta prevê que 90% das linhas tarifárias sejam liberadas. A proposta anterior, de 2004, contemplava 77% das linhas, mas os europeus se queixaram de que a maioria dos produtos de interesse ficou de fora.

No caso dos setores sensíveis, a proposta de 2004 estabelecia uma proteção por dez anos, a partir da entrada em vigor do acordo. Agora, pede 15 anos. Ou seja, se o acordo fosse fechado em 2010, os setores sensíveis só teriam redução tarifária em 2025.

Na lista de setores protegidos por 15 anos, o Mercosul incluiu automóveis e autopeças, têxteis, couro, calçados e alguns químicos. Só o setor automotivo representa quase um terço do comércio entre os dois blocos.

As negociações foram lançadas em 1999, mas em 2004 chegaram a um impasse. Europeus queriam maior acesso ao mercado sul-americano para seus bens industriais e o Mercosul queria maior acesso ao mercado agrícola europeu.

Agora, a presidência espanhola da União Europeia diz estar comprometida com o relançamento das negociações com o Mercosul. "Este ano, já fechamos acordos com o Peru e a Colômbia. Estamos confiantes de que poderemos avançar com o Mercosul", disse, ao Estado, um diplomata de Madri.

Segundo Ernesto Stancanelli, negociador-chefe da Argentina, o Mercosul decidiu aprofundar sua oferta para dar um sinal de que está disposto a negociar.

O Mercosul também indicou que, sem avanços na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a solução é mesmo buscar acordos regionais.

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