Banco suíço, único player global a não participar da capitalização, mantém críticas e reduz valorização dos papéis da estatal

O UBS, um dos mais tradicionais bancos suíços, manteve sua recomendação de venda de ações da Petrobras após a bilionária oferta de ações. Em relatório distribuído aos clientes do banco suíço, obtido pelo iG , a instituição financeira reduziu em 10% o preço alvo dos papéis da estatal brasileira, como resultado do processo de diluição da participação dos investidores minoritários maior do que esperado e de diferenças sobre as avaliações das reservas de petróleo da camada do pré-sal daquelas definidas pela estatal.

Sede do banco suíço em Zurique: críticas ao processo de capitalização da Petrobras
Divulgação
Sede do banco suíço em Zurique: críticas ao processo de capitalização da Petrobras
Apesar de reconhecer o sucesso na oferta, que levantou R$ 120 bilhões, dos quais R$ 40 bilhões serão injetados no caixa da Petrobras, o UBS avalia que o investidor deve-se manter cauteloso com o comportamento das ações da estatal. Sua previsão é que a ação ordinária da Petrobras alcance os R$ 30 em 12 meses, abaixo da estimativa anterior de R$ 33. Na sexta-feira, o papel da Petrobras, que dá direito a voto, fechou em queda de 1,98%, para R$ 29,65, exatamente o valor definido na oferta. Nas previsões do banco, o retorno sobre os papéis será de 1,8% em um ano.

“Nós atualizamos nosso modelo para refletir a cara aquisição dos 5 bilhões de barris da cessão onerosa e esta oferta de ações altamente diluída dos investidores”, apontaram os analistas do banco, preocupados com o retorno do capital investido na companhia. O banco faz um alerta: “Nossa estimativa não leva em conta a destruição de valor na carteira de ativos da companhia proveniente da escassez de capital humano e da cadeia de fornecedores que agora provavelmente será implantado em caráter prioritário para o desenvolvimento destes 5 bilhões de barris.”

Após a capitalização, o UBS é a voz solitária, praticamente única entre as grandes instituições financeiras do mundo. Sua avaliação sobre a expectativa dos papéis da Petrobras se sobressai neste momento porque o tradicional banco suíço foi a maior instituição a ficar de fora do conjunto de bancos que coordenaram a oferta de ações da estatal.

Em maio, quando os sinais de uma recaída da crise financeira internacional pareciam evidentes por causa da dívida da Grécia, analistas do UBS e do JP Morgan rebaixaram a perspectiva das ações da Petrobras, pondo em dúvidas o sucesso da operação de capitalização, o que levou a queda de quase 7,5% dos papéis da estatal. Dias depois, quando a Petrobras nomeou os bancos para realizar a oferta global, os dois bancos ficaram de fora do processo de coordenação, levantando suspeitas de que a posição dos bancos irritaram os defensores da oferta.

Pouco dias depois, o presidente do banco de investimento do JP Morgan Chase, Jes Staley, deu entrevista a imprensa afirmando que o investidor seria favorável à emissão dos papéis da Petrobras, apesar da instabilidade do mercado. JP Morgan atuou como coordenador secundário.

Coordenadores da oferta

A Petrobras montou uma estrutura que envolveu os maiores bancos do mundo. Seis instituições fizeram a coordenação da colocação global das ações – os brasileiros Bradesco BBI e Itaú-BBA, os americanos Bank of America Merrill Lynch, Citigroup e Morgan Stanley além do espanhol Santander. Outros oito reforçaram a coordenação da emissão e “bookrunners” – BB Investimentos, BTG Pactual, Crédit Agricole, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan, Societe Generale, além do rival do UBS, o Credit Suisse.

Houve mais quatro bancos contratados como coordenadores: Banco Espírito Santo, Deutsche Bank, J. Safra e Banco Votorantim. Para completar a lista, 78 corretoras se dividiram para oferecer os papéis aos investidores. A corretora Link, que foi adquirida pelo UBS depois de a instituição deixar o país ao vender o controle do Pactual a antigos sócios, participou do processo, mas ainda não foi incorporada pela instituição suíça.

De fora do processo de capitalização e longe das comissões que envolvem a maior oferta de ações da história, o UBS está livre das amarras do período de silêncio, a etapa exigida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que impede as instituições a se pronunciar sobre a capitalização até o encerramento de todo o processo, previsto para o dia 23 de outubro. O silêncio também abrange os diretores da Petrobras. Procurado nos Estados Unidos, o UBS não comentou o assunto.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.