Segundo corretoras, ainda existem dúvidas sobre a capitalização e sobre o desempenho da própria bolsa

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Os telefones das corretoras de valores não pararam de tocar ontem, primeiro dia para a reserva das ações da capitalização da Petrobras. Mas, do outro lado da linha, em vez de solicitações de reservas, estavam investidores com várias dúvidas sobre o processo. "Ainda há dúvidas sobre a capitalização e sobre o desempenho da própria bolsa.

O investidor está em dúvida e precisa esclarecer diversos pontos para tomar essa decisão", avalia Sergio Manoel Correia, analista da LLA Investimentos. A indecisão dos investidores ocorre por dois fatores, segundo analistas. O primeiro é o fato de a capitalização ter o cronograma apertado, o que dificulta a análise dos fatos e tomada de decisão sobre a aplicação. O segundo é o rígido período de silêncio exigido pela Comissão de Valores Mobiliários, que está prejudicando o fluxo de informações entre as corretoras e os investidores.

As corretoras consultadas pela reportagem, que por causa do período de silêncio pediram para não ser identificadas, disseram que as ligações recebidas ontem foram sobretudo de pessoas que já são acionistas da Petrobras - incluindo aqueles que em 2000 compraram papéis da empresa com os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e os mantiveram na carteira, o que possibilita o reinvestimento do fundo no atual processo. "Há procura de novos investidores.

Alguns até abriram conta na corretora para participar da capitalização, mas o ritmo das reservas foi fraco", conta um analista. Mário Avelino, presidente do Instituto FGTS-Fácil, conta que cerca de 89 mil trabalhadores ainda estão dentro dos quesitos exigidos para aplicar o FGTS na Petrobras e devem injetar R$ 1 bilhão no processo. "Estamos em campanha para que todos invistam o máximo que puderem. Nos últimos dez anos, as ações da Petrobras subiram 620%, enquanto o FGTS rendeu somente 65%", pontua.

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