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Rubén Osta, presidente da companhia no Brasil afirma que abertura de mercado trará maior volume de cartões e operações

A Visa, multinacional norte-americana que presta serviços de processamento para operações de crédito, débito e pré-pago, está otimista com as mudanças no setor de cartões, que entram em vigor em 1º de julho. O presidente da empresa no Brasil, Rubén Osta, diz que preparou a companhia para um aumento no volume de cartões e, consequentemente, de operações.

A Visa é uma bandeira internacional de processamento, concorrente direta da Mastercard. Segundo Osta, ela detém 60% do mercado brasileiro de transações com cartões. “Não emitimos cartões, não cobramos juros e não temos relação direta com usuários e lojistas”, afirma. “Nossa responsabilidade (nesse mercado) é interligar 16 mil instituições financeiras ao redor do mundo, para que os adquirentes ‘falem’ com os emissores”, complementa.

Rubén Osta, presidente da Visa do Brasil, afirma que a companhia está preparada para a concorrência
Divulgação
Rubén Osta, presidente da Visa do Brasil, afirma que a companhia está preparada para a concorrência
Os bancos emissores são os responsáveis pela emissão dos cartões e pelo risco de crédito dos usuários. São eles que definem e arrecadam anuidades e taxas de juros cobradas e fazem o atendimento aos clientes finais. Os adquirentes, por sua fez, fazem o credenciamento das lojas, o processamento das transações, gerenciam autorizações, capturas e pagamentos, além de elaborar relatórios e extratos e dar atendimento aos consumidores e varejistas.

Até agora, havia uma relação monopolista nesse mercado. A Cielo, que é uma adquirente, só aceitava cartões com a bandeira Visa. A Mastercard não aceitava pagamentos feitos nas maquinas POS (point of sale, em inglês) da Cielo, daí seu uso por meio da Redecard. “A partir de agora, teremos mais adquirentes aceitando mais bandeiras. A Redecard, por exemplo, vai passar a aceitar Visa”, afirma Osta, mostrando que só tem a ganhar com a abertura do mercado. “Num momento de mercado aberto, em que mais comerciantes aceitam a bandeira Visa, vemos muitas oportunidades de crescimento e sustentação da nossa marca.”

Novos jogadores

“Abrimos a possibilidade para a chegada de novos jogadores. Com mais competição, teremos mais eficiência, que deverá ser repassada para os custos das transações”, prevê o presidente da Visa do Brasil. Ele vê vantagens no novo cenário tanto para os varejistas como para os consumidores. “O usuário terá o seu cartão Visa aceito, não importa em qual POS o lojista irá passá-lo. O lojista, por sua vez, não precisará ter mais máquinas. Ele poderá passar todos os cartões em uma só”, avalia o executivo. Esses dois fatores, na opinião de Osta, farão com que o número de cartões em uso no País evolua.

O presidente da Visa afirma que, entre as ações elaboradas de olho nas mudanças, teve de preparar a operação de novos adquirentes. Foi necessário fazer a interligação em rede com os novos adquirentes e também dos emissores com esses adquirentes. Questionado, ele não abre os aportes nessas operações. “Foram investimentos importantes, mas não posso revelar”, afirma.

A abertura do mercado já propiciou a chegada de novos concorrentes. O banco Santander, que era emissor, anunciou em março uma parceria com a GetNet para atuar no mercado como adquirente. O Banco do Brasil e o Bradesco também já avisaram ao mercado que estão resgatando a marca Elo, numa operação de criação de uma bandeira nacional de cartões, que irá concorrer diretamente com Visa e Mastercard. A marca Elo deve entrar em operação neste segundo semestre.

Diante do surgimento da concorrência, Osta afirma: “Competição é sempre saudável. A gente concorre com várias marcas ao redor do mundo. Competição é bem-vinda, traz melhores produtos e serviços. A Visa é líder. Pode vir concorrente com a marca que for, que estamos aqui”.



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