SÃO PAULO - Embora o desempenho do varejo brasileiro tenha sido mais forte que o esperado no mês de junho, o que pressionaria a curva de juros futuros para cima, novos dados de desaceleração da economia chinesa também influenciam os negócios desta jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Na ponta mais longa da curva, há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 subia, 0,01 ponto percentual, para 11,55%, enquanto o DI do primeiro mês de 2013 perdia 0,04 ponto, a 11,76%. Já o contrato do primeiro mês de 2014 recuava 0,05 ponto, para 11,75%.

SÃO PAULO - Embora o desempenho do varejo brasileiro tenha sido mais forte que o esperado no mês de junho, o que pressionaria a curva de juros futuros para cima, novos dados de desaceleração da economia chinesa também influenciam os negócios desta jornada na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Na ponta mais longa da curva, há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 subia, 0,01 ponto percentual, para 11,55%, enquanto o DI do primeiro mês de 2013 perdia 0,04 ponto, a 11,76%. Já o contrato do primeiro mês de 2014 recuava 0,05 ponto, para 11,75%. Entre os vencimentos mais curtos, o DI de outubro de 2010 subia 0,02 ponto, a 10,72%, enquanto o DI de janeiro de 2011 avançava 0,03 ponto, para 10,79%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o volume de vendas no varejo brasileiro aumentou 1% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal. Já a China divulgou uma série de indicadores econômicos, que mostram um menor ritmo de crescimento do país. Entre os dados que vieram abaixo das expectativas do mercado, destaque para o aumento de 17,9% nas vendas no varejo em julho ente igual mês de 2009. O avanço foi menor que os 18,3% de junho e que os 18,5% estimados. Além disso, os investimentos em ativos fixos em áreas urbanas na China ainda terminaram os sete primeiros meses de 2010 em 11,9 trilhões de yuan, um aumento de 24,9% ante o mesmo período de 2009. A taxa é menor que a expansão de 25,5% registrada no primeiro semestre. "Por um lado, temos um resultado mais forte das vendas varejistas brasileiras. De outro, uma desaceleração global. Em primeiro lugar, há a visão do Fed [Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos] de que a economia americana pode precisar de mais estímulos, principalmente com o baixo nível de geração de emprego. Além disso, a questão da desaceleração chinesa afeta muito o Brasil. Esse dado pesa mais que o das vendas no varejo hoje", assinala o sócio da InvestPort, Dany Rappaport. Em sua opinião, apesar do crescimento do setor varejista em junho, o número não terá impacto sobre a próxima decisão de política monetária do Banco Central. Rappaport aposta em mais um aumento da taxa Selic em setembro, de 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano, encerrando, assim, o ciclo de aperto monetário. Na avaliação da economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, o cenário para os juros em setembro permanece incerto, dependendo do desempenho do IPCA-15 e da produção industrial que será divulgada no dia 31 de agosto. "No momento, apesar da alta acima do esperado do setor varejista em junho e da expectativa de retomada das vendas em julho, o BC poderá optar, olhando os indicadores de curto prazo e o arrefecimento das expectativas do mercado para o IPCA de 2010, em não alterar a taxa de juros e encerrar o ciclo de alta este ano em 10,75%", diz Filipa, em relatório enviado ao mercado. Em sua avaliação, entretanto, ao manter os juros inalterados, aumentam as chances de o BC ter de subir a Selic em 2011, entre março e abril, fazendo um ajuste em torno de 1 ponto percentual, a depender do nível de retomada da economia interna no segundo semestre e dos impactos sobre a inflação, além do desempenho da economia internacional. (Beatriz Cutait | Valor)

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