Comitê regulador do bloco avalia ferramentas similares às aprovadas pela Alemanha, que restringiu vendas a descoberto de ativos

A Comissão Europeia (CE) pediu ontem ao Comitê Europeu de Reguladores das Bolsas de Valores que avalie se os Estados-membros da União Europeia devem fazer como a Alemanha e tomar medidas contra a especulação, como a proibição de vendas a descoberto com dívida soberana dos países do euro.

"Ontem convidamos o Comitê Europeu de Reguladores das Bolsas de Valores a estudar o mais rápido possível se as condições que levaram as autoridades alemãs a tomar a decisão de proibir as vendas a descoberto são aplicáveis ao resto da Europa", disse a porta-voz da CE, Pia Ahrenkilde.

Na segunda-feira a Alemanha proibiu até o dia 31 de março de 2011 as vendas a descoberto de dívida pública dos países da zona do euro, os seguros de falta de pagamento dessa dívida (Credit Default Swaps) e as ações de dez bancos e empresas de serviços financeiros alemãs, o que supôs grandes quedas nas bolsas de valores.

A decisão adotada de maneira unilateral por Berlim provocou uma saraivada de declarações em toda a Europa. Elas pediam que esse tipo de medida seja efetuado de maneira coordenada, apesar de a maior parte dos dirigentes reconhecerem a necessidade de fazer frente ao problema da venda a descoberto abusiva.

Por outro lado, Ahrenkilde disse hoje que a decisão adotada pela Alemanha "acentua a necessidade de iniciar a nova autoridade da bolsa europeia o mais rápido possível" e pediu ao Conselho e ao Parlamento Europeu que concluam rapidamente as negociações que mantêm sobre um pacote legislativo. "A futura autoridade da bolsa deveria ter poderes para lidar com esse tipo de situação. Este é um novo exemplo de que o Conselho deveria mudar sua posição para uma mais ambiciosa, como pediu o Parlamento", acrescentou Ahrenkilde.

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