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Teve uma ideia brilhante? Conquiste um investidor

Conseguir recursos para levantar a empresa de seus sonhos inclui projeto inovador, boa equipe, trabalho e contatos

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Pedro Cruz e Luciano Juvinski, ambos com 29 anos, já estavam no mercado de trabalho, em Curitiba, quando tiveram uma ideia inovadora para fazer companhias de internet ganharem dinheiro. Montaram uma empresa e saíram em busca de recursos para alavancar o projeto. Depois de três meses, conseguiram um investidor, que conheceram durante uma competição de empreendedores. Assim, saíram vitoriosos da árdua batalha que é conseguir um recursos no Brasil e entraram para um seleto grupo de apenas 1,3% de jovens que conseguem um aporte de capital, ou seja, um em cada 80.

A receita do sucesso, segundo os empreendedores e os investidores, é trabalhosa, mas não impossível. É preciso uma boa ideia e uma boa equipe, vontade de participar de eventos e, finalmente, apresentar seu projeto aos “donos do dinheiro”. Há ainda um ingrediente extra, mas que depende da sorte: ser encontrado pelo investidor.

Entre 2008 e 2009, além de Pedro e Luciano, outros 3.895 jovens empreendedores buscaram investimentos em todo o País, segundo o último Centro de Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (GVcepe). Apenas 50 conseguiram os recursos. Os outros 98,7% não tiveram sucesso. Para diminuir essa cifra desfavorável, os jovens brasileiros têm um caminho difícil e muitas vezes sem o apoio dos pais. Mas é preciso tentar, começando pela boa ideia.

Geraldo Bubniak/ Fotoarena
Pedro Cruz e Luciano Juvinski, da Navegg, encontraram o investidor em uma competição de jovens empreendedores
As melhores são aquelas que mudam padrões, na visão de Franciso Jardim, diretor regional do fundo Criatec. “O site de compras coletivas Peixe Urbano, por exemplo, alterou a forma de o brasileiro pensar o consumo e também revolucionou a relação de empresas com seus clientes.” Os investidores recebem milhares de projetos para avaliar e os que chamam a atenção são aqueles que possuem ideias inovadoras e comercialmente viáveis. Além disso, o mercado em que a empresa vai atuar deve estar em crescimento, ou ser promissor, segundo Rodrigo Esteves, diretor financeiro da gestora de fundos Confrapar.

Assim como a ideia é importante, a equipe também é. Quando os investidores gostam do projeto, chamam os jovens para reuniões semanais. Nesta etapa, o principal aspecto avaliado é o humano. Para ser o selecionado, é preciso ter um bom time. “É melhor uma equipe A com um plano B, do que uma equipe B com um plano A. Claro que o ideal é a equipe A com o plano A”, afirma Esteves. Comprometimento e a dedicação contam pontos. “É preciso ter sangue nos olhos”, acrescenta Jardim.

Além disso, o diretor do Criatec diz que o jovem tem que “entender a regra do jogo”. Isso significa ser desprendido da companhia. Sentimentalmente, inclusive. O empreendedor tem que estar disposto a vender sua empresa, caso seja necessário. "Muitas vezes um interessado se dispõe a investir muito mais na companhia, mas só aceita entrar se comprar tudo.”

De fato, o momento de saída, ou desinvestimento, é um dos principais na indústria de capital semente. Este é, na verdade, o objetivo de quem fez o primeiro aporte. É na venda da uma empresa que deu certo para outro investidor que o gestor do fundo conseguirá pagar os investimentos, de R$ 700 mil, em média, em tantas outras ideias que não tiveram sucesso e, ainda, embolsar seu lucro.

Segundo Esteves, a experiência na indústria mostra que de cada 1000 empresas avaliadas, em média 10 recebem investimentos. Destas, 50% vão “andar de lado” e não vão dar lucro, 30% devem dar errado e podem até ser fechadas. “Apenas 20% darão o retorno que compensará todas as demais”, afirma o diretor da Confrapar.

Ao mesmo tempo em que montam o projeto a equipe, os empreendedores devem participar de encontros e desafios. Nesses eventos vão contar com contribuições de outros jovens e de investidores e, assim, aperfeiçoarão os seus projetos.

Desafios

Cruz e Juvinski elaboraram com dedicação o plano de negócios da Navegg, nome que deram à empresa. Em 2009, se inscreveram no Desafio Brasil, organizado pelo GVcepe. Eles não venceram a competição, mas foi durante uma de suas etapas que conheceram a Astella Investimentos, que alavancou o negócio. No mesmo evento, Marco Fisbhen, criador da empresa Descomplica, também encontrou seu investidor. Ele também não saiu do desafio com o prêmio principal - de R$ 65 mil. Mas, pouco depois, conseguiu R$ 300 mil do Gávea Angels, empresa que reúne os “anjos”, que são pessoas físicas que aplicam seus recursos próprios nas ideias dos jovens empreendedores.

Além da Navegg e da Descomplica, alguns outros projetos brasileiros conseguiram aportes após participar das competições. Em toda indústria de investimentos em empresas – que inclui os private equity, que são as empresas maiores - pelo menos 7% dos aportes são resultados de conversas iniciadas ali. Mas quando consideradas apenas as empresas em fase inicial, as chamadas “start-ups”, este percentual é bem maior. “Não dá dados exclusivos por segmento, pois os fundos não fazem a distinção, mas os desafios sem dúvidas são importantíssimos”, diz Tiago Cruz, coordenador do GVcepe.

Outra competição importante no Brasil é o Prêmio Santander de Empreendedorismo, que revelou no ano passado o projeto da estudante de administração Maria Alice Maia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ela criou o Ippon, um serviço de vendas relâmpago, pela internet, para companhias de turismo e entretenimento. Agora, a estudante e seu sócio, Lucas Cancelier, esperam o prêmio de R$ 50 mil para dar início ao negócio.

Além das competições, há encontros informais entre empreendedores e investidores, os chamados “StartUp MeetUps” ( “Encontros de Start-ups”). São happy hours para que todos os participantes da indústria de investimentos em empresas se conheçam. Tanto para os jovens como para os gestores de fundos, são uma oportunidade de conhecer uns aos outros, trocar ideias sobre o mercado e encontrar parceiros.

"Este é o meu projeto"

Depois de participar de desafios e encontros, os jovens devem enviar seus projetos aos sites dos fundos. As empresas garantem que todos os projetos são avaliados, um por um, por equipes especializadas. Os investidores olham desde projetos que ainda estão apenas no papel, até empresas que já funcionam.“Vemos tanto empresas com faturamento de até R$ 6 milhões, como planos de negócios em fase inicial”, diz Jardim.

A maioria dos projetos está ligada à tecnologia, principalmente internet, biotecnologia e agronegócios. Na indústria de investimentos em participações, de cerca de 20% de um universo de 502 empresas ou projetos avaliados pelo GVcepe em 2009, 20% são de tecnologia da informação ou eletrônicos. Mas não há restrições. Apesar de alguns fundos priorizarem alguns setores da economia, há investidores que buscam projetos em todas as áreas.

Após uma primeira leitura, alguns projetos passam para a fase seguinte, que são reuniões. “De cada 100 projetos que lemos, um deles passa para a próxima etapa”, diz Esteves, da Confrapar. Neste momento os jovens vão mostrar suas caras aos investidores. Durante cerca de 2 a 4 meses, os empreendedores terão a oportunidade de apresentar todo seu trabalho aos profissionais dos fundos, que vão decidir se farão o aporte ou não. Tendo uma boa equipe e um bom projeto, as chances de realização do sonho são grandes.

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