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Risco Brasil sobe, mas está longe do pico da crise

Aversão a risco, hoje em 240 pontos, teria de subir 170% para chegar a patamar de 2008; pico foi de 2.300 pontos, em 2003

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

Além do risco País medido pelo CDS (espécie de contrato de seguro contra não pagamento de dívidas que avalia o risco dos países), outro indicador de risco mostra que o estresse com relação ao Brasil aumentou nos últimos dias, mas está longe sequer de se aproximar do pico da crise de 2008. O EMBI+, medido pelo JP Morgan, mostrava o risco Brasil em 240 pontos na última sexta-feira. A alta é a mesma do CDS, ou seja, cerca de 24%.

No auge da crise de 2008, no entanto, o risco Brasil medido por esse critério estava em nada menos que 644 pontos. Ou seja, o indicador precisaria subir mais 168% para atingir o nível registrado em 22 de outubro de 2008.

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Emergentes, nós? O investidor hoje vê menos risco no Brasil do que na Itália
Para os especialistas consultados pelo iG, esse patamar não deverá mais ser atingido. O ano de 2010 será de volatilidade do risco Brasil, mas em torno do nível atual, em 200 pontos. “Depois do pacote de 750 bilhões de euros anunciado no final de semana, o efeito risco vai dar uma boa acalmada”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator.

O alívio previsto porém não significa calmaria de longo prazo. “Não há como nenhum país no mundo se beneficiar dos ajustes que essas economias europeias terão de fazer”, continua. “A Europa para de comprar, a China para de vender, e o mundo todo sofre retração.”

Para 2011, a preocupação no Brasil será com os gastos públicos. Arthur Carvalho, economista-chefe da Ativa Corretora, afirma que o novo governo federal deverá segurar as rédeas dos gastos para que não haja problemas fiscais. “Como este é um ano de eleições, é natural que os gastos aumentem", diz. "Mas essa tendência precisa ser estancada já no começo do ano que vem.”

Nunca mais 2 mil pontos

O histórico do risco Brasil fornecido ao iG pelo JP Morgan mostra que a tendência de queda na aversão dos investidores em relação ao País vem caindo há muitos anos. Num levantamento de abril de 1994, o pico de nervosismo ocorreu pouco antes das eleições para a presidência da República em 2002, quando Lula ainda era temido pelo mercado.

Em 27 de setembro de 2002, o medo do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) fez o mercado puxar o risco País para nada menos que 2.331 pontos. Passadas as eleições, o receio foi se dissipando, mas de maneira muito gradual. Somente seis meses depois, em março de 2003, o risco saiu da casa dos mil pontos. Daquele momento até agora, a trajetória foi de queda constante, com exceção de setembro de 2008, quando eclodiu a crise financeira global.
 

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