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Retorno em ações em mercados de fronteira supera o de emergentes

No primeiro semestre, índice MSCI que inclui países como Nigéria, Vietnã, Cazaquistão, entre outros, tem rentabilidade de 4,2%

Olívia Alonso, iG São Paulo |

Você aplicaria seu dinheiro em ações de países como Nigéria, Vietnã, Cazaquistão, Bangladesh e Quênia? Para alguns investidores no exterior, a aposta vale a pena. Embora alguns destes países apresentem altos índices de pobreza, uma economia pouco sofisticada e governos corruptos e até ditatoriais, o que se nota é que as Bolsas de Valores destes mercados ao longo deste ano têm dado um retorno acima da média.

Conhecidos como “mercados de fronteiras”, esse grupo de países supera os tradicionais mercados emergentes (como Brasil, China e Índia) e desenvolvidos (EUA, Japão, Alemanha, França entre outros). Elaborado pela MSCI Barra, uma empresa que pertencia ao banco americano Morgan Stanley, o índice MSCI Frontier Markets mostrou uma valorização de 4,26% no primeiro semestre de 2010. No mesmo período, o índice dos mercados emergentes recuou 2,51% e o dos mercados desenvolvidos caiu 6,85%.

Divulgação
"Se voltássemos 20 anos, chamaríamos a China e a Rússia de fronteira”, diz Slim Feriani, gestor da inglesa Advanced Emerging Capital

“A probabilidade é que esses mercados tenham um retorno sólido em três a cinco anos, e é muito provável que os mercados de fronteira continuem superando o desempenho dos emergentes e desenvolvidos”, diz Slim Feriani, gestor da empresa inglesa de gestão de recursos Advanced Emerging Capital.

Com grande potencial de crescimento econômico, embora apresentem baixa liquidez e capitalização no mercado acionário, esses países podem ser uma aposta arriscada quando analisados individualmente. "No entanto, quando são combinados num portfólio, há uma diversificação e os riscos são menores", afirma Feriani.

A precariedade do mercado de capitais é outro ponto negativo, uma vez que os países de fronteira ainda possuem estruturas legais e regulatórias pouco desenvolvidas. "Mas já vemos que eles vêm importando e adaptando características dos países com mercados de capitais evoluídos”, ressalta o gestor.

O administrador de recursos avalia que a capacidade de solvência destes países é uma grande vantagem. “A relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB) é tipicamente menor que 50% do PIB na maioria dos países de fronteira”, diz Feriani, citando dados da Silk Invest que mostram que a média mundial é de 146%. “Os mercados de fronteira possuem os ativos mais baratos do mundo no momento”, diz.

O potencial de retorno do grupo de fronteira é comparado por investidores e gestores ao observado nos países emergentes anos atrás. “Se as pessoas tivessem investido no Brasil há oito anos, teriam ganhado muito. Se voltássemos 20 anos, chamaríamos a China e a Rússia de fronteira”, comenta Feriani, que administra o Frontier Markets Fund, um dos cinco fundos de investimentos referendados no índice.

Fundos

“Visitamos de 20 a 25 países de fronteira todos os anos e selecionamos fundos existentes em cada local. Dessa forma, indiretamente contamos com a expertise dos profissionais de cada lugar e não precisamos ter escritórios em todos eles”, conta Feriani.

No Brasil, os bancos não oferecem fundos de investimentos referenciados em ativos dos países de fronteira. O banco HSBC lançou New Frontiers em 2008, mas apenas no exterior.

Além do MSCI Frontier Markets Index, criado em 2007, a Standard & Poor's criou em 1995 o S&P Frontier BMI e o FTSE Group lançou o FTSE Frontier 50, em 2008.

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