Administração do caixa bilionário do fundo de pensão do BB, que soma R$ 142 bilhões, troca de mãos nesta terça-feira

O maior fundo de pensão da América Latina, Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, poderá aumentar seus investimentos em infraestrutura, caso a estratégia seja de interesse do país e ao mesmo tempo atenda às regras de governança corporativa da entidade, afirmou o novo presidente, Ricardo Flores, que toma posse nesta terça-feira.

Sem se preocupar com possíveis usos da Previ pelo governo, por entender que a entidade está blindada por uma governança corporativa madura, Flores disse que projetos para a Copa em 2014 e para as Olimpíadas de 2016 podem ser analisados como qualquer outro investimento que seja proposto à entidade.

"Queremos ser atores principais e não coadjuvantes no desenvolvimento do país", disse Flores a jornalistas horas antes de tomar posse. "Se isso for interesse do País e desde que atenda aos requisitos, não vejo como excludentes (os projetos estruturantes)", completou.

Na véspera, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, comentou em evento em São Paulo que fundos de pensão poderiam ter uma participação maior no setor de infraestrutura do país ao citar diversificação das fontes de financiamento da economia para além do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sem a presença da imprensa, o ex-presidente da Previ, Sérgio Rosa, passa oficialmente o bilionário caixa de R$ 142 bilhões da Previ para Flores e a nova diretoria em cerimônia no final desta tarde no Rio de Janeiro. Junto com Flores tomam posse os dois diretores indicados pelo Banco do Brasil e os dois eleitos pelos participantes do fundo. Apenas um diretor, de Seguridade, José Ricardo Sasseron, permaneceu da antiga diretoria.

Marco Geovanne Tobias da Silva, que ocupava a gerência geral de Relações com Investidores do BB, assume a diretoria de Participações no lugar de Joílson Ferreira, prometendo dar maior visibilidade ao fundo. "Vamos dar maior transparência, como foi feito com o banco, queremos fazer mais reuniões com o mercado", disse Silva, lembrando que atualmente a Previ tem apenas uma reunião anual na Apimec.

A entidade ganhou mais fôlego para investimentos no ano passado, depois que o governo resolveu aumentar de 50% para 70% o limite das aplicações em renda variável. Mesmo assim, Flores e sua diretoria terão que lidar com casos polêmicos, como o desinvestimento a ser feito na Vale, para que a Previ possa se adequar à regra de não concentrar mais de 10% do patrimônio do fundo em uma única empresa. Atualmente a Vale é o maior investimento da Previ, com peso em torno dos 20% do seu patrimônio. "Isso ainda não foi avaliado", afirmou.

Conselho da Vale

Flores não decidiu também se vai assumir o cargo de presidente do Conselho de Administração da Vale. Argumentando que o mandato de Sérgio Rosa vai até 2011, Flores deu sinais de que vai esperar a decisão do ex-dirigente.

"Esse assunto ainda não foi tratado (o conselho da Vale). Existe um mandato e este mandato está em curso até maio de 2011", disse. "Isso tem um rito próprio, ele (Rosa) pode pedir para sair, renunciar...tem que ter assembléia de acionistas...", explicou o executivo.

"Não pretendemos mudar as coisas no sentido de mudar por mudar, queremos olhar o processo de maneira geral e manter aquilo que está maduro e aperfeiçoar o que puder", explicou, referindo-se também às suas outras participações em empresas.

Outras questões delicadas, como o superávit de mais de R$ 40 bilhões da entidade que poderá ou não ser distribuído aos beneficiários, assim como possíveis mudanças nas participações da Previ no setor elétrico (CPFL e Neoenergia) serão avaliadas com calma, disse Flores.

Funcionário de carreira, Flores está no banco há 32 anos.

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