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Polêmica sobre preço do óleo precede capitalização da Petrobras

ANP recebe nesta quinta relatório preliminar com valor estimado, que deve superar o preço avaliado por consultoria da Petrobras

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Empenhado em manter a data de capitalização da Petrobras em setembro, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, deve se encontrar nesta quinta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O assunto tende a se estender ao valor do barril de petróleo a ser pago pela estatal na cessão onerosa. O encontro ainda não está confirmado; na agenda oficial de Mantega consta apenas uma reunião, seguida de coletiva de imprensa, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

O laudo da GCA deve ser entregue oficialmente à ANP hoje, mas ontem os valores foram tema de uma reunião conciliatória, realizada em Brasília, entre estatal, ANP e ministérios envolvidos. O valor estipulado pela GCA é considerado excessivamente alto e poderia inviabilizar o processo. 

O preço serve para definir o valor dos 5 bilhões de barris de petróleo que o governo usará para vender para a Petrobras e assim manter o controle sobre as ações da estatal, sem ter sua participação diluída no processo de capitalização.

Divisão no governo

Segundo fontes, a Petrobras estima que cada barril valha cerca de US$ 6, valor aquém do que o governo estaria avaliando, segundo rumores de mercado. Para realizar a estimativa, a empresa contratou a De Golyer and McNaughton. O valor do barril será definido pelo governo na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na semana que vem. Além da Petrobras, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) contratou uma certificadora para avaliar o preço de cada barril.

A reguladora informa que receberá nesta quinta-feira o relatório preliminar da empresa Gaffney Cline sobre a certificação dos reservatórios de Franco, que serão utilizados no processo de capitalização da Petrobras. De acordo com o jornal "O Estado de São Paulo", a certificadora estima que cada barril valha entre US$ 10 e US$ 12. Já a "Folha de São Paulo", em reportagem publicada na

AE
Preço do barril de petróleo causa polêmica
quarta-feira, cita que o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que o barril de petróleo de áreas com características semelhantes às do pré-sal vale entre US$ 5 e US$ 10.

Em comunicado ao mercado, a Petrobras contesta a informação dos jornais, dizendo que “até o momento, qualquer discussão sobre o valor dos barris da cessão onerosa é mera especulação, “isso porque os laudos das certificadoras ainda não estão prontos”.

Zimmermann, Mantega e Gabrielli se reuniram ontem em Brasília e discutiram alguns aspectos da capitalização. Segundo fontes, porém, não houve consenso e foi cogitada, inclusive, a possibilidade de adiamento do processo. A Petrobras, entretanto, corre contra o tempo para angariar recursos condizentes com seu robusto plano de investimentos. Na sexta-feira, a companhia divulgou um aumento de 16% no seu endividamento, chegando perto do limite de alavancagem. O mercado não absorveu bem o dado e as ações despencaram no começo da semana.

Se não for bom para a Petrobras, investidor desiste

O secretário de Petróleo e Gás do MME, Marco Antônio Martins, avalia que cessão onerosa deve ocorrer antes da oferta de ações da Petrobras, para dar segurança aos investidores. Em entrevista ao iG, em julho, o secretário disse que “se os investidores entenderem que o contrato (de cessão onerosa) lesa a Petrobras, não vão entrar, mas se entenderem que a cessão é boa para Petrobras vão entrar”. O iG apurou que o secretário viajou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, para o Rio. A pasta também está definindo o formato da operação.

Para a Petrobras, quanto mais caro ficar o barril, menor será o valor que ficará na companhia, para a realização de investimentos, pois a companhia terá de comprá-lo da União. Por outro lado, compete ao governo garantir interesses da União. "Deve-se ressaltar que a Cessão Onerosa será uma transação comercial entre duas partes, Petrobras e União, seguindo regras de mercado e respeitando as políticas de transação com partes relacionadas da Companhia e transparência. Desta maneira, é natural que ambas as partes busquem, através de negociações, maximizar seus resultados", cita a Petrobras em nota ao mercado.

Outra questão que o mercado vai analisar na hora de decidir se participará ou não da oferta de ações será a qualidade das áreas que serão colocadas na capitalização. "Se eu colocar 5 bilhões em áreas muito boas, muito produtivas, o mercado pode ficar interessado nisso, pode avaliar que isso tem valor e aceitar participar de uma forma mais ativa da capitalização. Se eu coloco 5 bilhões mas coloco áreas não tão boas, o mercado pode não ficar interessado em participar". 

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