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Poder de agências de risco cresce e incomoda

Investidores deram poder às agências, que agora são criticadas por ditarem os rumos – muitas vezes nefastos - das economias

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

As agências de classificação de risco estão na berlinda. Na segunda crise global em menos de dois anos, essas empresas têm sido alvo de todo tipo de ataque e sua influência nos rumos de países e companhias está sendo fervorosamente discutida.

De um lado, investidores reclamam que as agências demoraram para alertar o mercado sobre o tamanho dos problemas da Grécia, que deixou o confortável “grau de investimento” para se transformar em aplicação “especulativa” de uma hora para outra. De outro, países rebaixados se queixaram da decisão das agências ter sido feita justamente no pior momento, colocando mais lenha na fogueira.

A questão é delicada e, segundo especialistas, passa por excesso de poder conferido às agências, negligência de gestores e falta de fiscalização. Entre as soluções apontadas para melhorar a situação estão mais concorrência, transparência e supervisão, além de métodos de cálculo que tragam mais agilidade às decisões.

Necessárias, mas muito poderosas

“As agências de risco são necessárias ao bom desenvolvimento do mercado financeiro”, diz o professor George Ohanian, do Insper, resumindo um consenso dos especialistas consultados. Ele lembra que, quando começaram a surgir, no começo do século passado, funcionavam mais como consultorias, e não tinham o papel poderoso que possuem hoje. “A atuação foi importante para diminuir as assimetrias de informação que existiam nos mercados de então.”

Com o desenvolvimento do sistema, foram cada vez mais procuradas para dar chancelas, e muitos investimentos passaram a depender basicamente de suas decisões. Atualmente, vários fundos no mundo só podem aplicar em empresas “livres de risco”, ou seja, com o famoso “grau de investimento”.

Reguladores também tiveram seu papel no processo de “engrandecer” as agências. Ohanian conta que, em 1975, a Securities and Exchange Commission, a xerife do mercado norte-americano, criou as “Organizações de Classificação Estatística Nacionalmente Reconhecidas”, elevando Moody’s, Standard and Poor’s e Fitch a uma esfera especial.

“A existência das agências não é uma coisa ruim”, diz Ohanian. “Os bancos centrais se preocupam com os riscos sistêmicos e a notas servem para as instituições financeiras formarem suas carteiras e se protegerem.”

Getty Images
Gestores também foram responsáveis por ignorar outras fontes de informação ao classificar riscos
Gestores negligentes

O problema é que, de consultoras, as agências passaram a funcionar como verdadeiros “papas” da classificação de risco. Faltou, nesse processo, mais vontade dos próprios investidores em verificar a situação de suas aplicações.

“Muitos gestores se escudam nas avaliações das classificadoras para tirar a responsabilidade de suas próprias costas”, diz Rubens Sardenberg, economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). “Na verdade, a informação que vem da agência deveria ser utilizada somente como mais uma ferramenta de trabalho.”

Uma outra fonte, que preferiu não ser identificada, diz que muitos fundos de pensão chegam a ser negligentes. “Eles não pagam salário suficiente para o funcionário desenvolver uma análise de peso independente, e acabam se fiando apenas nas agências.”

Para o professor George Ohanian, uma maior responsabilização dos gestores seria um bom começo para melhorar a situação.
 

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