O petróleo fechou na máxima em cinco meses, impulsionado pela fraqueza do dólar e pelo avanço das ações em Nova York

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O petróleo fechou na máxima em cinco meses, impulsionado pela fraqueza do dólar e pelo avanço das ações em Nova York. Os investidores correram para ativos físicos denominados em dólares, tais como ouro e petróleo, depois que o Japão cortou o juro para perto de zero como parte de um programa de afrouxamento monetário. O dólar caiu sensivelmente em relação ao iene e despencou para o menor patamar desde fevereiro ante o euro, abrindo caminho para que o ouro superasse US$ 1.340 por onça-troy pela primeira vez.

Os contratos futuros de petróleo também ganharam sustentação por causa da greve num porto na França que atrasa as entregas para as refinarias e com os problemas na navegação de petroleiros no Houston Ship Channel. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o petróleo para entrega em novembro fechou em alta de US$ 1,35, ou 1,66%, em US$ 82,82 o barril, o nível mais alto desde 3 de maio. Na plataforma eletrônica ICE, o Brent para novembro fechou no maior nível desde 4 de maio, em US$ 84,84, com alta de US$ 1,56, ou 1,9%.

O sindicato que representa os trabalhadores portuários do terminal francês de petróleo de Fos-Lavera informou que a greve continuará amanhã pelo décimo dia. A greve impediu que 44 petroleiros descarregassem, e a organização de refinarias do país alertou que sete centrais abastecidas pelo porto podem parar de produzir derivados de petróleo em uma semana. O governo francês disse que não está considerando, no momento, a liberação de reservas estratégicas de petróleo por causa da paralisação.

Nos EUA, a guarda costeira disse que espera que uma artéria-chave para o centro da rede de refino da Costa do Golfo seja reaberta nesta quarta-feira, permitindo a retomada dos embarques de petróleo para quatro refinarias que estão suspensos desde domingo. Um rebocador atingiu uma torre de eletricidade, forçando o fechamento do canal, com impacto para as refinarias que processam cerca de 800 mil barris por dia de petróleo, ou cerca de 4,5% da capacidade dos EUA.

Mark Waggoner, presidente da corretora Excel Futures, disse que a fragilidade do dólar e a forte alta das ação representam um imenso suporte para o petróleo. Mas ele alerta que os preços passaram à frente dos fundamentos e que a demanda morna por petróleo nos EUA não justifica o barril acima de US$ 80.

Zachary Oxman, diretor da corretora TrendMax Futures, de Encinitas, Califórnia,, disse que o recorde de alta do ouro e a fraqueza do dólar apoiam o rali do petróleo no curto prazo. Ele prevê que o ouro atingirá US$ 1.500 a onça-troy este ano, levando o petróleo para até US$ 100 o barril pela primeira vez desde o fim de setembro de 2008.

Alguns operadores destacaram que o primeiro contrato futuro chegou na máxima a US$ 82,99 o barril e que uma alta acima de US$ 83 teria sido mais convincente para um rali sustentado. O mercado espera buscar direção nos dados semanais de petróleo dos EUA. O American Petroleum Institute (API), grupo privado, divulga seu relatório mais tarde hoje, enquanto os amplamente monitorados dados do Departamento de Energia (DOE, na sigla em inglês) saem amanhã de manhã.

Analistas ouvidos pela Dow Jones esperam que os números do DOE mostrem que os estoques de petróleo subiram 300 mil barris na semana encerradas em 1º de outubro, enquanto as refinarias teriam cortado o uso da capacidade 0,4 ponto porcentual. A previsão é de que os estoques de gasolina mostrem queda de 300 mil barris, enquanto o de destilados, que incluem diesel e óleo de calefação, recuem 700 mil barris. As informações são da Dow Jones.

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