A confusão em torno de prazos e valores já provoca focos de atrito da Petrobras com seus investidores

A confusão em torno de prazos e valores já provoca focos de atrito da Petrobras com seus investidores. Diante de tantas incertezas, a companhia teve perda de US$ 52,9 bilhões neste ano, redução de 25% no valor de mercado. Para o superintendente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais, Edison Silva, o desempenho pode gerar contestações judiciais. "Os administradores da companhia são responsáveis por essa perda de valor e poderiam ser contestados com relação ao ressarcimento desses valores", diz.

Ele lembra os casos Sadia e Aracruz, cujos executivos foram levados à Justiça por acionistas americanos em razão de perdas bilionárias com operações de câmbio depois do estouro da crise financeira mundial. No caso da Petrobras, é grande a insatisfação de pequenos investidores com relação à condução do processo de capitalização.

Em assembleia realizada há uma semana para aprovar a operação, um grupo de acionistas de Salvador apresentou manifesto à direção da companhia, acusando a possibilidade de "extermínio de minoritários". A principal reclamação refere-se às dificuldades que minoritários terão para acompanhar a operação de tal monta.

Mas há também críticas a respeito da mudança de postura da empresa e de seu controlador, que adotou no passado diversas medidas para atrair acionistas individuais, como o desdobramento de suas ações, abrindo espaço para pequenos investidores, e o uso do FGTS na compra de ações. "A Petrobras sempre tomou medidas em prol do minoritário e agora quer nos diluir", reclama Romano Allegro, autor do manifesto anti-capitalização.

Silva, da Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), afirma que há diversos sinais de retrocesso em políticas de governança corporativa, que vêm sendo conduzidas com pouca transparência, na sua opinião. Um desses retrocessos, diz ele, é delegar ao Conselho de Administração a avaliação dos ativos que serão usados pelo governo na operação. "Normalmente, quando há capitalização com ativos, a avaliação é levada a assembleia, com abstenção do voto do controlador.

Nesse caso, o controlador delegou ao conselho, sem ouvir o minoritário." Silva teme que os prejuízos sofridos pelos pequenos investidores os afastem do mercado de capitais, levando-os a aplicar em renda fixa. "Você pode imaginar o investidor que teve ganho nos últimos anos e se depara com uma depreciação dessa magnitude? É inconteste que o processo é preocupante."

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