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Governo queria usar a adiada "maior capitalização do mundo" e os investimentos públicos como trunfo na campanha eleitoral

A tentativa frustrada de emitir novas ações da Petrobras antes de agosto não tem impacto apenas financeiro. O governo vinha trabalhando para usar a "maior capitalização do mundo" como um trunfo na campanha eleitoral, que começa oficialmente dia 6 de julho e chega à TV no início de agosto.

A pressão pela operação vem colocando a companhia em rota de colisão com pequenos investidores. A Petrobras alega que precisava concluir a capitalização até agosto para evitar o desaquecimento do mercado financeiro por conta das férias de verão no Hemisfério Norte, em agosto. Mas foi forçada a adiar a operação para setembro, diante do descasamento de cronogramas com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que terá de certificar as reservas que serão usadas na cessão onerosa - a venda de reservas da União para levantar dinheiro para a capitalização.

Segundo fonte ligada ao governo, a ideia era usar um possível aumento da participação da União na empresa como tema de campanha, reforçando a percepção de que o PT estaria recuperando para os brasileiros um patrimônio que foi vendido no exterior pelo governo Fernando Henrique Cardoso. "A operação tem o claro objetivo de aumentar o capital do governo na empresa, numa linha eles venderam, nós estamos recuperando", diz a fonte.

Há rumores de que a meta é ampliar a fatia da União dos atuais 32% para algo em torno dos 40%. O resultado final, porém, depende do apetite dos minoritários pelas novas ações. A avaliação no Planalto é que houve erro estratégico na condução do caso. Petrobras e governo passaram meses pressionando o Congresso a aprovar as leis que dão as bases para a capitalização, mas não deram a devida atenção à necessidade de agilizar a certificação das reservas pela ANP.

Além do mote da recuperação do patrimônio vendido, a campanha petista esperava usar o gigantismo da operação a seu favor. Estima-se, no mercado, que a capitalização da Petrobras seja a maior emissão de ações já feita no mundo, movimentando algo em torno de US$ 50 bilhões a US$ 60 bilhões, incluindo a participação da União.

O grande investimento em refino, de US$ 73,6 bilhões até 2014, também é visto no mercado como sinal da ingerência política na empresa. A Petrobras se comprometeu a construir duas novas plantas no Maranhão e no Ceará. Sem elas, dizem os críticos, a empresa talvez nem precisasse ir a mercado para financiar seu plano de investimentos.

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