Investidores fazem ajustes em suas posições e já começam a pensar na execução dos projetos do pré-sal

As ações da Petrobras tiveram volatilidade nesta sexta-feira e agora assumem uma trajetória negativa. Um dia após a definição do preço dos papéis na oferta de capitalização da estatal, os investidores fazem ajustes em suas posições e já começam a questionar a execução dos projetos da empresa no pré-sal.

Depois de abrir em alta, as ações preferenciais da companhia já inverteram o sinal algumas vezes. Por volta de 15h36, caíam 1,34%, para R$ 26,44. As ordinárias tinham queda de 1,45%, para R$ 29,81.

O analista de uma corretora envolvida na operação, que prefere não ser identificado, afirma que pode estar havendo um movimento de venda por parte dos investidores que conseguiram alocar tudo o que pretendiam na oferta.

“Alguns podem ter levado mais ações do que esperavam, e agora estão vendendo os papéis que já tinham para ter um pouco de capital na liquidação”. Segundo ele, na oferta prioritária, quem optou por adquirir a sobra acabou conseguindo ficar com quase 100% da reserva. As novas ações da estatal serão liquidadas na próxima terça-feira, 29 de setembro.

Já as pessoas físicas da oferta de varejo, que não conseguiram alocar tudo o que reservaram, podem não ter interesse em comprar para aumentar suas posições, comenta Ricardo Almeida, professor de economia do Insper. Ainda que quisessem, não seria um movimento forte o suficiente para ter impacto nas ações. Assim, não há uma força vinda desses investidores para levar as ações da Petrobras para cima.

Além disso, os investidores passam a questionar a execução dos projetos do pré-sal. Uma vez que as incertezas em relação à operação de capitalização já foram aliviadas, agora é momento de avaliar se o capital será suficiente para o plano de investimentos da empresa. “Há uma incerteza em relação à execução”, comenta Fernanda de Lima, sócia da Gradual Investimentos.

Para Almeida, do Insper, o caixa que a companhia conseguiu com a oferta é baixo diante de um plano de investimentos agressivo. A Petrobras pretende investir US$ 224 bilhões até 2014. Além dos US$ 27 bilhões em capital que a empresa conseguiu com a operação, poderá ter um adicional de US$ 8 bilhões em financiamentos já que agora possui uma melhor relação entre dívida e patrimônio, segundo Ricardo. “No meu ver, o caixa é baixo”, afirma.

Os analistas acreditam que as ações devem seguir voláteis nos próximos dias e, em um prazo mais longo, devem variar conforme a Petrobras anunciar novidades sobre a exploração do pré-sal. “Os investidores vão querer acompanhar o cronograma. Quando sair uma notícia boa, as ações devem subir. Quando alguma novidade frustrar, devem cair”, diz Almeida.

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