Para analistas, decisão elimina nervosismo e evita pressão política

A permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central (BC) traz tranquilidade aos agentes de mercado e perspectiva de continuidade e estabilidade aos rumos da economia, segundo depoimentos ouvidos pelo iG . “A decisão tira o bode da sala”, comentou há instantes o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Ele lembra que Meirelles é conhecido no mercado financeiro por seu pulso firme e por ter liderança suficiente para tomar as medidas que considerar necessárias, independentemente dos desdobramentos políticos em um ano de eleições. “O presidente do BC vai fazer o que tiver que fazer e sua decisão encerra três semanas de grande mal-estar e incertezas em relação à condução da política econômica.”

“Para o mercado, é bom”, define Carlos Alberto de Souza Barros, diretor-presidente da Souza Barros Corretora, sobre a permanência do presidente do BC no cargo. “Ele é uma pessoa que já conhecemos. Estamos satisfeitos com a forma com que ele vem conduzindo o Banco Central. Claro que não é só ele que faz a política monetária, mas quem conduz”, afirma. “A permanência é bastante positiva. Ela evita que venha algum aventureiro para o BC.”

Segundo Souza Barros, ainda não é possível imaginar se ele ficará ou não à frente do BC ao final do governo Lula. “Tudo vai depender de quem vencerá as eleições”.

Trajetória

A permanência de Meirelles no cargo é bem-vinda pela sua própria trajetória de quase oito anos à frente da autoridade monetária, afirmou o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa, por meio de comunicado.

“A atuação de Meirelles e do governo Lula nesses quase oito anos serviu para consolidar a percepção dos brasileiros da importância de um Banco Central vigilante e atuante como fiador da estabilidade da moeda”, ressaltou Barbosa no texto.

Ele disse ainda que o presidente do BC continuará a contar com o apoio da entidade e dos bancos associados, “como, aliás, sempre foi uma característica da Febraban, que em 40 anos de história comprovou seu compromisso com um sistema financeiro ético, eficiente e saudável em momentos críticos da história recente”.

 A permanência de Meirelles no Banco Central também foi bem recebida no setor industrial. Como em outros setores, os argumentos têm relação com a estabilidade da economia em ano eleitoral. “O fato de ele estar lá é um fator de tranquilidade. O Brasil está em um momento bom. A permanência de Meirelles é um risco a menos”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Leitura similar foi feita por Júlio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “Todo ano de eleição é ano de estresse. A permanência de Meirelles é um seguro contra isso”, afirma ele. “Isso evita uma onda de especulação, seja quem for o vencedor na eleição".

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