Para crescer com solidez, Brasil precisa investir em educação

Ela já foi ministra e trabalhou no BID. Para Wanda Engel, transferência de renda e estudo devem andar de mãos dadas

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo |

Divulgação
Um país que se protege socialmente está menos sujeito a crises, diz Wanda
Quanto mais anos de estudo tem sua população, mais um país cresce. Educação, para Wanda Engel, é o segundo pilar que vai garantir uma expansão sólida do Brasil nos próximos anos. O primeiro foi a distribuição de renda para os menos favorecidos.

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O nome de Wanda é velho conhecido dos sistemas educacionais e sociais. Já foi ministra da Secretaria de Assistência Social no governo Fernando Henrique Cardoso e trabalhou para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, por quatro anos, na unidade voltada para a pobreza.

No começo desse ano, seu histórico de participação em programas governamentais e privados de distribuição de renda resultou em um convite de Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA, para integrar o Conselho Internacional de Liderança Feminina em Negócios, do governo norte-americano.

A reunião inaugural do grupo aconteceu no fim de janeiro, em Washington. “Quando cheguei lá, ela conversou bastante comigo sobre os programas de transferência de renda do Brasil. Somos um exemplo para todo o mundo.” O objetivo do Conselho é auxiliar o desenvolvimento social por meio da mulher. “Nunca fui feminista, mas há estudos provando que, quando os programas sociais têm foco na mulher, eles se multiplicam.”

A entrada no mundo de negócios é nova para Wanda, uma geógrafa carioca com pós-graduação, mestrado e doutorado em Educação. Mas, como ela mesma diz, preparo e conhecimento são indispensáveis para o crescimento da economia. "Vimos, na crise, que os países que se protegeram socialmente demoraram mais para ter problemas e também melhoraram mais rápido." Segue na linha de muitos economistas e de Vinod Thomas, diretor do Banco Mundial para o Brasil de 2001 a 2005. Segundo ele, um maior acesso à educação e um ensino de melhor qualidade são fatores determinantes na qualidade do crescimento de um país.

Inclusão escolar

De sua sala com vista para a Avenida Paulista, Wanda abre seu largo sorriso e conta, com muita simpatia, sua paixão pela educação como ferramenta de desenvolvimento social. Atualmente, é superintendente-executiva do Instituto Unibanco, onde está desde 2006, quando saiu do BID.

Wanda foi a mentora do primeiro programa Bolsa Escola, e conta que deu consultoria para que Cristóvam Buarque criasse seu próprio plano, em Brasília, implementado de 1995 a 1999. Para ela, os dois pilares do desenvolvimento precisam andar juntos.

Ela acredita que é preciso dar o peixe, quando quem não sabe pescar está com fome. “Só acha que políticas sociais são assistencialistas quem nunca precisou de assistência.” Mas contesta a pura e simples distribuição de comida. Deve haver uma contrapartida. Coordenou, no governo FHC, o Projeto Alvorada, focado em melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil.

A própria vida como exemplo

“Sou a maior prova de que a educação é o maior fator de mobilidade social”, gosta de contar. Wanda é filha de pai mecânico, imigrante alemão, e mãe dona de casa. Cedo, aos oito anos, descobriu como era viver com pouco. O pai, doente, passou a viver do INSS e o vencimento servia para sustentar ela, a mãe, a avó e uma irmã.

O estudo de qualidade foi garantido quando Wanda conseguiu passar no Instituo de Educação, e melhor escola do Rio de Janeiro na época. Eram 9 mil candidatos para 60 vagas, e ela ficou entre os primeiros colocados. “Recebi bolsa alimentação, dinheiro para condução, livros, uniformes. Eles davam até aparelho dentário”, diz.

Jovem de Futuro

No Instituto Unibanco, Wanda criou o projeto “Jovem de Futuro”, um programa de investimento em escolas estaduais que dura três anos. “Oferecemos apoio técnico e financeiro para tentar melhorar a qualidade do ensino.” O projeto piloto começou em 2008 e contou com 42 escolas. Foi oferecido a todos os governadores do Brasil em 2010.

“Fernando Haddad, quando era ministro da Educação, se interessou pelo projeto”, diz Wanda. Com isso, o MEC entrou no jogo e ajudará a financiar o programa. O governo federal colocará R$ 677 milhões no projeto, enquanto o Instituto Unibanco investirá R$ 233 milhões. Segundo ela, este ano os estados de São Paulo, Pará, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul e Piauí vão aplicar a tecnologia oferecida pelo programa.

“Não podemos parar na transferência de renda”, afirma. “Um país não se desenvolve economicamente se não tiver as condições e os instrumentos para aproveitar as oportunidades.”

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