O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, tentou demonstrar tranquilidade com o déficit externo brasileiro

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, tentou demonstrar tranquilidade com o déficit externo brasileiro. Segundo ele, apesar de ser elevado o número de US$ 49 bilhões de déficit em conta corrente previsto para este ano, em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) o saldo negativo projetado não é tão grande: 2,49%. E ainda, segundo ele, é "perfeitamente financiável". Em sua história, o Brasil já conviveu com déficits externos de 4% e 5% do PIB.

Além disso, o técnico do BC destacou que o Brasil conta com um elevado colchão de reservas internacionais e convive com uma diferença estrutural no balanço de pagamentos, que hoje se ajusta com as flutuações da economia, reduzindo despesas quando a atividade econômica cai - ao contrário do passado, quando, mesmo em crises, as despesas com juros eram elevadas e levavam a crises de balanço de pagamentos.

Para Altamir, a tendência é que o déficit em conta corrente brasileiro nos próximos anos se estabilize nesse patamar, ou um "pouco acima" disso, mas sem ter uma trajetória explosiva. Na visão dele, a recuperação da economia mundial vai ampliar as exportações brasileiras, estabilizando o déficit externo.

Remessa de lucros

Altamir Lopes avaliou que as remessas de lucros e dividendos de empresas instaladas no Brasil para as suas matrizes no exterior deve se acomodar em um patamar mais elevado ao longo deste ano. "Mas não é nada estupendo", disse. A previsão do BC é que as remessas fechem o ano em US$ 32 bilhões ante US$ 25,218 bilhões registrados no ano passado.

Segundo Altamir, as empresas em 2008, devido à crise financeira, anteciparam a remessa de lucros para socorrer as suas matrizes. Já em 2009, os lucros das empresas, com a desaceleração econômica, foram menores, o que reduziu as remessas. "Agora, as remessas vão acomodar num patamar mais alto", ressaltou.

Ele informou que as remessas de lucros e dividendos em junho, até hoje, somam US$ 1,724 bilhão. As despesas líquidas com pagamentos de juros externos no mês somam US$ 579 milhões.

Investimento em renda fixa

O chefe do Depec afirmou que mais importante do que a taxa de juros em alta, o ingresso forte de investimentos estrangeiros em renda fixa tem sido influenciado pelo grau de investimento obtido pelo País em 2008. Segundo dados do BC, em maio, os investimentos em renda fixa somaram US$ 4,022 bilhões, sendo US$ 2,154 bilhões em títulos negociados no País. No acumulado do ano, os investimentos em renda fixa somaram US$ 12,075 bilhões, sendo US$ 7,890 bilhões em títulos negociados no país. "O juro pode influenciar, mas o mais importante é o grau de investimento", afirmou Altamir.

Segundo ele, o investimento em renda fixa neste ano voltou ao patamar pré-crise. No período de janeiro a maio de 2008 entraram no País para a renda fixa US$ 9,263 bilhões e, no total, incluindo investimentos em títulos brasileiros negociados no exterior, o saldo naquele período foi de US$ 7,648 bilhões.

Fluxo cambial

Altamir informou que os bancos estavam com posição "vendida" em junho, até o último dia 18, em US$ 8,039 bilhões. Em maio, os bancos tinham posição vendida em US$ 3,278 bilhões.

Altamir informou também que, no mês até a última sexta-feira (18), o fluxo cambial foi negativo em US$ 3,548 bilhões. O fluxo comercial foi negativo em US$ 1,820 bilhão, resultado de exportações de US$ 7,508 bilhões e importações de US$ 9,328 bilhões. O fluxo financeiro também foi negativo, em US$ 1,728 bilhão, resultado de ingressos de US$ 13,540 bilhões e saídas de US$ 15,268 bilhões.

Altamir explicou que o saldo negativo no financeiro está relacionado à remessa de rendas (lucros e juros) e também às despesas da conta de serviços e não a saídas de recursos por investimentos em portfólio.

O chefe do Depec informou também que o BC adquiriu neste mês, até o dia 18, no mercado à vista, US$ 1,485 bilhão.

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