A rentabilidade do metal alcançou 19,52% no período; o euro foi o pior investimento, com perdas de 11,61%; a Bolsa caiu 11,16%

O ouro foi a modalidade de investimento com o melhor desempenho tanto no mês de junho como no primeiro semestre deste ano. O metal acumulou valorização de 2,92% e 19,52%, respectivamente. Na outra ponta, o euro foi a pior aplicação, com 11,61% de desvalorização no semestre. A Bolsa de Valores amargou perdas de 3,35% no mês e de 11,16% no acumulado do ano. “Foi um semestre horroroso para a Bolsa”, resume José Francisco Gonçalves, economista-chefe do banco Fator. “O fechamento desta quarta-feira devolve o Ibovespa (o principal índice de ações do mercado brasileiro) para os níveis de outubro ou novembro do ano passado”, afirma.

Apesar do bom desempenho no ano, Gonçalves considera o ouro como um indicador frágil, porque tem um mercado muito pequeno. “O fato de subir muito reflete esse tamanho reduzido do mercado.” Fabio Colombo, administrador de investimentos e ex-diretor do Credibanco, concorda. “Os investidores estrangeiros correram para o ouro para se proteger de uma eventual insolvência dos governos europeus”, afirma.

Ouro é o destaque do semestre

Variação (%) das principais modalidades de investimento, de janeiro a junho

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Fabio Colombo

Colombo lembra que o mercado de ouro no País, como opção de investimento, já teve seus dias de glória, quando o Brasil vivia um período de inflação alta, até o governo Collor (1990-1992). “Há negócios na BM&FBovespa mas, como o valor do contrato futuro é de quase R$ 20 mil, inibe a participação dos pequenos investidores”, fator que contribui para a redução do mercado.

“O semestre foi de quem operou na renda fixa”, avalia Gonçalves. Segundo ele, os melhores ganhos foram obtidos por quem optou por papéis atrelados à variação do DI (depósitos interfinanceiros). No mês, os fundos de renda fixa devem fechar com variação entre 0,65% e 0,95%. Os fundos DI devem variar de 0,55% a 0,85%, calcula Colombo. Os dados desses fundos ainda não estão disponíveis. No ano, os fundos de renda fixa devem ter valorização média de 5,29% e os DI, 4,36%.

Quando às ações, há um consenso ente analistas de que o semestre foi pautado pela volatilidade. As principais causas foram a crise na Grécia, provocada pela revelação de um deficit superior ao Produto Interno Bruto (PIB), que acabou se alastrando por outros países europeus.

Fernando Fonseca, gerente da mesa de renda variável da corretora WinTrade, lembra que, com a reunião do G-20 no último final de semana, ficou acertado que os países da União Europeia mais afetados por deficits terão de fazer ajustes. “Por isso estão elevando a idade mínima para aposentadorias e cortando funcionários públicos”, lembra.

Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, lembra que outro fator que derrubou as Bolsas foi a revelação pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de que o país terá um crescimento menor do que as previsões que havia feito anteriormente. De qualquer maneira, ele vê apenas uma “correção temporária” no mercado acionário brasileiro.

Painel do mês de junho

Variação (%) das principais modalidades de investimento no mês

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Fabio Colombo

Para piorar o cenário, os analistas dizem que os dados sobre a China divulgados nesta semana mostraram que o crescimento do país pode não ser tão vigoroso como se previa, o que afeta as expectativas para as ações.

Colombo estima que a Bolsa deve continuar “pressionada”, tanto por notícias da Europa como da China. “A incógnita é se a Chia irá continuar a crescer aceleradamente, o que não acho sustentável. Como a Bolsa está num patamar alto, não sou otimista”, afirma Colombo. Velho discorda. “Não vejo a China deixar o crescimento ser reduzido, eles têm instrumentos para reativar a economia”, avalia.

Um ponto destacado Por Velho são os balanços referente ao segundo semestre das empresas com ações em Bolsa que devem começar a ser divulgados em breve. “Os balanços devem vir bons, tanto das empresas brasileiras como no exterior.” Quando os números do primeiro trimestre se tornaram públicos, o mercado de ações foi abalado pelos piores momentos da crise europeia. Agora, ele entende que os investidores darão mais atenção aos números dos balanços.

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