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Ouro deve continuar em alta em 2011, dizem analistas

Mesmo com forte alta observada no ano, incertezas na economia mundial e oferta mais apertada devem sustentar valorização do metal

Danielle Assalve, iG São Paulo |

Para analistas, o ciclo de alta do ouro está longe de terminar. Na última semana, o impasse sobre o endividamento público nos Estados Unidos e a crise na Grécia e em outros países da zona do euro fizeram o preço do metal disparar e chegar à cotação recorde de US$ 1.609 por onça-troy (31,104 gramas). E ainda há espaço para mais valorização em 2011.

"Os fundamentos que levaram o preço do ouro de US$ 250 para mais de US$ 1.600 por onça-troy na última década ainda são os mesmos e parece pouco provável que esse cenário mude em breve”, diz Peter Grant, economista da USA Gold, empresa que opera no mercado de ouro e metais preciosos nos Estados Unidos.

As novas medidas anunciadas pelos países europeus na última semana para resgatar a Grécia trouxeram alívio, mas não devem impedir uma crise ainda maior no futuro. E o mesmo acontece nos Estados Unidos com relação às discussões para redução da dívida, afirma Grant.

Esse cenário deve continuar a motivar investidores a buscar proteção de seu patrimônio por meio da compra de ouro . Só na última semana, o metal registrou entradas de US$ 2,3 bilhões, quase 40% de todo o fluxo acumulado no ano, segundo relatório do BofA Merrill Lynch.

“Temos alguns clientes que são especuladores, mas 95% dos que compram ouro fazem isso para proteger o que conquistaram da contínua desvalorização do dólar e dos crescentes riscos sistêmicos”, diz Grant.

Oferta mais apertada

Além das incertezas na economia mundial , o cenário de oferta mais apertada e crescente demanda pelo metal contribui para explicar os preços recordes. Na África do Sul, por exemplo, o impasse nas negociações salariais entre empresas e trabalhadores do setor pode comprometer a produção do maior fornecedor de ouro do mundo.

Enquanto isso, os bancos centrais saíram da posição de vendedores para compradores líquidos do metal pela primeira vez nos últimos 21 anos. Segundo levantamento do World Gold Council, o volume de ouro adquirido pelos bancos centrais no primeiro semestre já superou o total comprado durante todo o ano de 2010.

Tendência de alta

“No longo prazo, podemos ter uma inflexão na demanda por ouro. Mas isso só deve acontecer quando voltarmos a ter juro real no mundo [taxa de juros acima da inflação] e uma solução definitiva para o endividamento dos países desenvolvidos, o que não está no horizonte agora”, diz José Inácio Franco, diretor da Reserva Metais, empresa que atua no mercado formal de ouro e metais preciosos no Brasil. Dado o atual cenário, ele estima que o ouro pode fechar o ano cotado acima do patamar de US$ 1.650 por onça-troy.

Uma pesquisa conduzida pela Reuters mostra que o mercado elevou suas projeções para a cotação do ouro no ano. Mais da metade dos entrevistados espera que o preço médio do metal fique acima de US$ 1.500 no ano. Na pesquisa anterior, feita em janeiro, apenas um em cada cinco analistas faziam essa previsão.

Para Grant, da USA Gold, o comportamento dos preços do ouro na última década também aponta para novos recordes até o final do ano. Um levantamento mostra que, em média, 65% dos ganhos acumulados no ano tendem a ser verificados entre agosto e dezembro. No ano até 21 de julho, o ouro subiu 16,5%, considerando a média mensal no período. No mesmo intervalo, o principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa , acumula perdas de 13%.

Cotação do ouro à vista

Média mensal - em US$ por onça-troy (28,35 gramas)

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Fonte: Bloomberg / * Até dia 21 de julho
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