O ranking de aplicações mais rentáveis de agosto confirmou as previsões de analistas para o comportamento do mercado de ações durante todo o ano: forte volatilidade. A falta de direção continuou imperando na Bovespa, que se guiou por sinais inconstantes nas principais economias mundiais. Seu principal índice – o Ibovespa – fechou agosto com a maior perda entre os investimentos, de -3,51%. Em julho, foi a melhor aplicação, com alta de 10,80%.
Nessa gangorra, o ouro faz a contraparte. De pior aplicação em julho (-3,91%), passou à melhor em agosto, com rentabilidade de 3,58%. Analistas lembram que essa é uma característica de mercados estressados. Quando não conseguem prever o rumo da Bolsa ou perdem demais com ações, os investidores buscam refúgio no ouro.
No ano, o ouro lidera os rendimentos, com 18,71% de alta até agosto. O Euro é a pior aplicação, com -10,93%.
Números de agosto, em variação %
Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que agosto trouxe de volta o pessimismo, com temores de crescimento aquém das expectativas para a economia americana e de seus efeitos para o restante do mundo. Como resultado, as bolsas ao redor do mundo apresentaram queda, com perdas, em dólares, de até 10%. E no Brasil não foi diferente.
“Ouro é sinal de pânico, é um recurso extremo”, complementa José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “Essa alta do metal reflete um mês no qual todos os investidores começaram a descontar todo o otimismo gerado por alguns dados de recuperação no segundo trimestre e das bolsas da Europa.”
Na opinião dele, agosto mostrou correção em relação a um “oba-oba” do mês anterior. “Começaram a perceber que as perspectivas para as bolsas estão longe de ser brilhantes e houve uma movimentação em direção à renda fixa.”
Números de 2010, em variação %
Títulos de renda fixa e DI foram as opções mais rentáveis após o ouro. A faixa de alta dos fundos de renda fixa ficou entre 0,80% e 1,15%, e os DI ficaram entre 0,60% e 0,95%. “A queda de juros vista no mundo todo faz com que as pessoas comprem mais esses títulos. Seus preços sobem e as remunerações caem”, explica Gonçalves.
Já o mercado de câmbio ficou entre as piores opções, junto com as ações. Para o economista-chefe do Fator, as perspectivas não são positivas para o Euro. “Os países da zona do Euro anunciaram que farão políticas fiscais contracionistas, o que limita o crescimento das economias e afeta sua moeda.”
Setembro
A expectativa é de mais nervosismo nos mercados mundiais de ações. “Até o final do mês não vejo muita chance de grandes mudanças no cenário, mesmo porque as perspectivas dependem muito dos números dos Estados Unidos, que não estão se mostrando favoráveis”, afirma Gonçalves.
Para Colombo, os fundos DI continuam a opção mais segura, com juro real em torno de 5% a 6% ao ano, devido às incertezas sobre o comportamento da inflação futura e da política de juros a ser efetuada pelo Banco Central nos próximos meses. Em setembro, o rendimento bruto será na faixa de 0,60% a 0,90%, dependendo da taxa de administração do fundo e da "marcação a mercado".
O ouro, na visão de Colombo, continuará sendo uma opção conservadora para diversificação.