Os dez maiores ganhos da Bolsa no ano

Enquanto o Ibovespa cai 24,5%, algumas ações acumulam valorizações de até 30% em 2011. Veja quais são

Carla Falcão e Olívia Alonso, iG São Paulo | 03/10/2011 18:47

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Na contramão dos principais índices dos mercados financeiros globais, que estão derretendo, algumas empresas brasileiras vêm registrando fortes ganhos na bolsa de valores no ano. É o caso de Cielo, TIM, Redecard, Telesp, BR Foods, Hering, Ambev, BR Malls, Souza Cruz e Cemig, donas dos melhores desempenhos do Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo.

Enquanto o Ibovespa acumula uma perda de 24,5% no ano, os papéis dessas companhias têm ganhos que variam de 9% a 33%. O que contribui para estes bons resultados, segundo analistas, são as características das empresas. Em geral, são companhias com forte geração de caixa, boas pagadoras de dividendos e pouco expostas às volatilidades dos mercados.

Dez ações que mais subiram no ano

variação em %, de janeiro a setembro de 2011

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Levantamento da Economática com ações do Ibovespa

"Em momentos de tensão, grandes oscilações e crises, os investidores costumam buscar empresas que tem geração de caixa estabilizada e menor exposição à volatilidade do mercado," diz Lucas Brendler, analista da Geração Futuro.

Analista de renda variável da TOV Investimentos, Rafael Quintanilha acrescenta que as empresas no topo do ranking das mais rentáveis do Ibovespa têm em comum o bom fluxo de pagamento de dividendos. “Quando o investidor se vê em um cenário complicado para a Bolsa de Valores, ele prioriza as ações com elevado retorno de dividendos”, diz

Quintanilha observa ainda que, apesar da retração no ritmo de concessões de crédito, o segmento de varejo segue em alta em 2011, o que favorece empresas como Redecard (terceira no ranking, com 30,56% de valorização) e Cielo (que lidera a lista, com alta acumulada de 33,28%).

Para o diretor da Corretora Pentágono, Marcelo Ribeiro, a lista das empresas que acumularam maior valorização traz ainda uma tendência observada desde a Grande Depressão de 1929. “Historicamente, ações de empresas ligadas a vícios tendem a apresentar uma boa performance em períodos difíceis. Quanto pior é o cenário, mais as pessoas bebem e fumam. Por isso, não me surpreende que Ambev (14,87%) e Souza Cruz (10,71%) estejam entre as mais rentáveis de 2011 ”, diz.

Empresas com atuação mais concentrada no mercado doméstico também acabam sendo favorecidas em momentos de crise lá fora.

É o caso da Ambev, diz Brendler, da Geração Futuro. Além de ter uma geração de caixa garantida, a companhia vem sendo favorecida pelo crescimento do mercado consumidor de seus produtos no Brasil, onde concentra suas vendas. "A Ambev é voltada ao mercado doméstico, que tem ganhando faixa de consumo bastante grande. Mais brasileiros estão podendo consumir cervejas e refrigerantes de marcas de maior qualidade," comenta.

Oitava na lista das que apresentaram maior valorização até 30 de setembro, com alta de 13,47%, a BR Malls Participações foi beneficiada, na opinião dos analistas, pelo aumento das projeções de inflação em 2011. Como os contratos de aluguel das lojas em shoppings são corrigidos pelo IGP-M, quanto maior a inflação, maior é a receita da empresa, calculam especialistas em renda variável.

Para quem não está posicionado em Bolsa, vale ressaltar que qualquer decisão de investimento em ações deve ser acompanhada por muita cautela, diz Ribeiro. “Minha recomendação é que o investidor busque papéis defensivos, como os de setores regulados. Luz, gás e telefone, por exemplo, estão entre as últimas coisas a serem cortadas das despesas de uma família em tempos difíceis”, afirma.

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