Ibovespa cai 6,8% na semana, 8,3% no ano e se aproxima do menor patamar de 2010. Perdas foram generalizadas no mundo

As perdas de toda uma semana não foram suficientes para fazer a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se recuperar hoje. Mas a queda não foi localizada: Ásia, Europa e Estados Unidos voltaram a recuar, apesar do grande estresse de ontem. A Bolsa de Nova York chegou a cair 9,12%, e há informações de que a forte perda teria sido causada por um erro. Nasdaq anunciou a correção da cotação de diversas ações negociadas na quinta-feira.

Hoje, quando muitos apostavam em ligeira recuperação, os investidores mostraram que ainda estão dispostos a vender e se desfizeram de mais ações. Com isso, o Ibovespa atingiu a menor cotação desde 5 de fevereiro deste ano. A baixa foi de 0,86%, para 62.870 pontos, ante 62.762 pontos naquela data.
Vale lembrar que 5 de fevereiro é a menor cotação do Ibovespa em 2010. Depois disso, o patamar mais baixo só será encontrado em 3 de novembro do ano passado, com 62.643 pontos.

Na semana, o Ibovespa cai 6,89%. No ano, a baixa é de 8,33%. Ontem, o Ibovespa recuou 2,31%, aos 63.414 pontos. Na máxima do dia de ontem, o dólar chegou a subir mais de 5% e o Ibovespa a despencar 6,4%.

As quedas de hoje ocorreram sem motivos aparentes, ou extras. A sexta-feira não trouxe notícias negativas da Europa e mostrou, inclusive, dados favoráveis da economia americana, mas os investidores relutam em retomar as compras.

EUA

Em Wall Street, apesar dos sinais de melhora da economia americana, a cautela volta a predominar sobre os negócios. As bolsas americanas chegaram a ensaiar uma retomada, mas inverteram o rumo, acompanhando as bolsas europeias. Dow Jones caiu 1,33%, enquanto o Nasdaq recuou 2,33%.
Em abril, foram criados 290 mil postos de trabalho, com a geração de vagas no setor manufatureiro, de serviços de negócios, de cuidados com saúde e de lazer. O número, do Departamento do Trabalho, superou as previsões dos analistas. Já a taxa de desemprego avançou para 9,9% em abril, após ficar em 9,7% nos três primeiros meses deste ano.

Grécia

Nesta sexta-feira, o mercado inicia os negócios sabendo que os congressistas alemães aprovaram a participação do país no pacote de resgate à Grécia. Os parlamentares autorizaram a concessão de 22,4 bilhões de euros (US$ 28,6 bilhões) em créditos ao longo de três anos. O montante é parte do pacote de 110 bilhões de euros que serão concedidos por integrantes da zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Além disso, os dados de emprego americano vieram bem melhores que o esperado. Foram criados 290 mil postos de trabalho em abril. Já a taxa de desemprego avançou para 9,9% no mês passado, após ficar em 9,7% nos três primeiros meses deste ano.

Europa
As bolsas europeias voltaram a cair nesta sexta-feira, encerrando a pior semana dos mercados em 18 meses. Além das preocupações com a Grécia e com a contaminação da crise para outros países da região, as eleições no Reino Unido também estiveram no foco dos investidores hoje.

Ásia

No mercado asiático, a semana terminou em queda. A Bolsa de Hong Kong atingiu o menor nível em dois meses e meio. O índice Hang Seng caiu 213,12 pontos, ou 1,1%, e terminou aos 19.920,29 pontos, o pior fechamento desde 19 de fevereiro - o índice acumulou perdas de 5,6% na semana.

As bolsas da China voltaram a atingir o pior nível em oito meses, também afetadas pelas preocupações sobre medidas de aperto no âmbito doméstico. O índice Xangai Composto baixou 1,9% e encerrou aos 2.688,38 pontos, a menor pontuação desde 1 de setembro. O índice Shenzhen Composto perdeu 2,2% e terminou aos 1.064,17 pontos - o índice baixou 6,35% na semana.

Dólar

Pelo quarto dia seguido, o dólar encerrou os negócios em alta, embora tenha perdido força para a moeda europeia. Dados preliminares apontam que, com mínima de R$ 1,820 e máxima de R$ 1,875, o dólar comercial avançou 0,10%, cotado a R$ 1,849 na compra e a R$ 1,851 na venda, na maior cotação desde o dia 12 de fevereiro (R$ 1,859). Na semana, a divisa americana se apreciou em 6,5%, na maior alta para o período desde a primeira semana de dezembro de 2008 (7,08%). No ano, o dólar voltou a acumular alta, desta vez de 6,2%.

(com agências)


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