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Operações somaram R$ 13,55 bilhões, contra R$ 11,33 bilhões nos mesmos meses de 2009; das ofertas deste ano, sete foram IPOs

As ofertas de ações na Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) somaram R$ 13,55 bilhões no primeiro semestre deste ano. A despeito de toda a volatilidade vivida pelo mercado acionário no período, embalada pela crise na Europa, essas ofertas foram 19,6% superiores aos R$ 11,33 bilhões arrecadados pelas empresas e seus acionistas nos primeiros seis meses do ano passado. No total destes primeiros seis meses, foram 13 ofertas, conta apenas três em 2009.

Das ofertas registradas neste ano, sete foram aberturas de capital (IPOs, jargão do mercado financeiro para Inicial Public Offering), com as colocações da empresa da área de shoppings Aliansce, da gestora de programa de fidelização Multiplus ou da empresa de transportes rodoviários Júlio Simões. No período, foram registradas seis operações conhecidas como follow-on, em que a empresa já tem o capital aberto e vai ao mercado fazer uma oferta subsequente.

Na opinião de Ricardo Martins, gerente de pesquisa da Planner Corretora, neste semestre pode até haver uma melhora no cenário para ofertas. “O mercado externo está voltando a olhar os papéis dos países emergentes”, afirma. “Podemos ter uma melhora de cenário em agosto ou setembro, apesar da crise na Espanha. Acho que o cenário ficará mais positivo para a Bolsa.”

É importante notar que todas as ofertas, tanto deste primeiro semestre como nas do ano passado, foram de ações ordinárias (com direito a voto) e no Novo Mercado, o segmento de listagem da Bolsa em que estão as empresas com os maiores níveis de governança corporativa.

A maior parte das ofertas do semestre foi primária, ou seja, de papéis novos, em que os recursos captados vão para o caixa da companhia. Esse grupo correspondeu a um volume de R$ 10,6 bilhões captados junto aos investidores. As ofertas secundárias, aquelas em que as ações já são de um acionista, responderam por uma captação de R$ 2,9 bilhões.

Abaixo do piso

Martins, da Planner, lembra que, apesar do aumento no volume de colocações, algumas companhias lançaram suas ações na base do preço estabelecido no processo de oferta ou até abaixo. “A OSX, do empresário Eike Batista, é um exemplo. O grupo veio ao mercado com várias empresas pré-operacionais. Quando chegou a OSX, os investidores repensaram, pois ela tinha como clientes apenas empresas do próprio grupo.” Como conseqüência, a companhia teve de baixar o preço mínimo da oferta.

Segundo Fernando Fonseca, gerente da mesa de renda variável da corretora WinTrade, a OSX iniciou o processo de abertura de capital com a oferta inicial de ações na faixa entre R$ 1.000 e R$ 1.333,33 e acabou tendo de baixar para a faixa de R$ 800,00. “A intenção da companhia era captar R$ 6,4 bilhões e ela conseguiu arrecadar cerca de R$ 2,45 bilhões”, lembra.

Como exemplo oposto, Fonseca destaca a operadora de cartões Visanet, atualmente com o nome de Cielo. A companhia abriu o capital no final do primeiro semestre de 2009. No prospecto inicial, previa captar R$ 6,449 bilhões, pela média da faixa de preço das ações, e acabou levando R$ 8,397 bilhões.

A empresa do setor de energia Renasce acaba de protocolar na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sua oferta de ações para abrir o capital. Essa é a segunda tentativa da companhia. Em janeiro, ela já havia pedido o registro da oferta, mas as incertezas de mercado acabaram levando-a a suspender o processo. No início do ano, ela pretendia vender suas units (recibo de ações) por R$ 25,00. Na nova oferta, ela baixou a faixa de preço para entre R$ 15,00 e R$ 17,00.

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