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Para agência, empresa terá capacidade de reverter sua alta alavancagem

Os detalhes da oferta de capitalização da Petrobras, que incluem o acordo entre a estatal e o governo sobre as reservas de petróleo que serão incluídas na operação, têm um efeito neutro no perfil de crédito da empresa no curto prazo, na avaliação da agência risco Moody's.

“A transação não afeta o rating A3 da empresa na moeda local e o rating Baa1 na moeda estrangeira”, afirma a Moody´s nesta sexta-feira.

Já os impactos de longo prazo – tanto da transferência de petróleo da União à Petrobras, como da própria oferta de ações que a empresa fará – podem ser positivos para a qualidade de crédito da companhia e para que a estatal realize seu plano de investimento de US$ 224 bilhões em cinco anos.

Os analistas comentam que a Petrobras atualmente possui um alto nível de alavancagem, com uma dívida líquida de 34% (o máximo permitido é 35%), mas acreditam que a empresa tem flexibilidade, escala, fluxo de caixa para administrar sua alavancagem, além de uma produção crescente, “características que são consistentes com seus ratings atuais”, dizem.

A Moody´s lembra ainda que os acionistas minoritários devem participar da oferta com a injeção de cerca de US$ 25 bilhões no capital da empresa.

“Se a Petrobras conseguir de US$ 20 a US$ 25 bilhões, terá flexibilidade para reduzir a dívida e financiar seu programa de capital, com menor dependência dos mercados de dívida, pelo menos em a curto prazo”, afirma a agência.

Ainda que a oferta fique aquém das expectativas, a empresa ainda tem saldos de tesouraria consideráveis, que totalizavam US$ 13,4 bilhões em 30 de junho de 2010, ressalta a Moddy´s. Além disso, a empresa tem acesso ao governo e a mercados de dívida pública, acrescenta a agência.

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