Processo de capitalização, que inclui oferta de ações e cessão onerosa, pode duplicar valor a ser conseguido pela petrolífera

A oferta total de ações da Petrobras poderá ficar entre US$ 46 bilhões e US$ 50 bilhões e deve ocorrer até o fim de julho. Essa é a estimativa dos analistas de corretoras ouvidos pelo iG . A aprovação pelo Senado da capitalização da empresa por meio da cessão onerosa na madrugada desta quinta-feira, dia 10, foi um avanço em todo o processo, mas ainda faltam definições.

Osmar Cesar Camilo, analista do setor de petróleo da corretora Socopa, diz que o conselho de administração da estatal propôs um aumento de capital no valor de R$ 150 bilhões na assembléia extraordinária de acionistas. O encontro está marcado para dia 22 de junho. “Esse é o limite, incluindo a cessão onerosa. Com a oferta de ações e a cessão onerosa, se o mercado acompanhar a capitalização, a operação pode levantar até R$ 140 bilhões”, calcula Camilo.

Com a aprovação da cessão onerosa, o governo fica autorizado a vender à estatal, sem licitação, a permissão para explorar a pesquisa e lavra de petróleo até 5 bilhões de barris. Com isso, somado à oferta pública de ações, a Petrobras fará um aumento de capital que englobará recursos para tocar seus planos de negócios. “Esse é o melhor dos mundos para a estatal, fazer a oferta de ações com a cessão onerosa”, avalia Victor de Figueiredo, analista da corretora Planner. A empresa está prestes a finalizar seu plano de negócios para o período 2010-2014, com investimentos que devem somar entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões.

Levando em consideração que 60% do capital da Petrobras estão no mercado, Camilo, da Socopa, avalia que a oferta pública pode traduzir-se em algo em torno de US$ 46 bilhões. Do capital total da empresa, a União detém 32% e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) os outros 8%. Das ações com direito a voto (ON), a União tem 55,6%; o BNDES, 1,9%; e 42,5% estão no mercado. Em ações preferenciais (PN), o BNDES tem 15,5% e 84,5% estão em Bolsa. A união não tem PNs.

O triplo dos valores

Segundo Figueiredo, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, já sinalizou que a oferta de ações ficaria entre US$ 15 bilhões e US$ 25 bilhões. “Isso, sem contar com a cessão onerosa. Com ela, esses valores podem ser multiplicados por três”, diz. Segundo ele, com a cessão, a operação pode somar US$ 50 bilhões. “Isso se definirá nos próximos passos da operação.”

Figueiredo, da Planner, afirma que, como a empresa se definiu por uma oferta de ações e já anunciou os bancos responsáveis pela operação, pode-se deduzir que ela está “correndo” para fazer a capitalização até o fim de julho, ou seja, antes das férias no Hemisfério Norte. Essa era uma das incertezas do mercado, pois mais de 70% das ações vendidas em ofertas públicas no Brasil têm ido para as mãos de estrangeiros e, em férias, poucos teriam apetite para entrar na capitalização da Petrobras.

Max Bueno, analista da corretora Spinelli, diz que há um detalhe fundamental para a formação dos parâmetros da operação: a avaliação do preço do barril de petróleo envolvido na cessão onerosa. Uma certificadora internacional de reservas está tratando da questão, mas o preço ainda não foi definido. Bueno afirma que o mercado avalia o barril de petróleo que será explorado na área do pré-sal entre US$ 5,00 e US$ 10,00. Esse valor é referente à exploração, não à comercialização. “É provável que seja algo em torno de US$ 7,00 a US$ 8,00”, prevê. Por esses valores, todos os cálculos teriam de ser refeitos.

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