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O episódio da acusação vai servir de exemplo para que o presidente dos EUA debata sobre a reforma do sistema financeiro americano

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve usar o episódio da acusação de fraude contra o Goldman Sachs em seu discurso na próxima quinta-feira, dia 22,  sobre a reforma do sistema financeiro americano. Em Londres e em Berlim, as autoridades também indicaram que podem investigar o tradicional banco de investimentos, aumentando os temores dos investidores de que a mais poderosa instituição financeira de Wall Street ainda terá problemas pela frente.

Para complicar, o New York Times publicou reportagem com suspeitas de que o alto escalão do Goldman, incluindo seu presidente-executivo, Lloyd Blankfein, teria acompanhado de perto os trabalhos da unidade de operações do banco liderada por Fabrice Tourre, que é o alvo da acusação de fraude feita pela Securities and Exchange Commission (SEC, o equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil).

No seu discurso de quinta-feira, em Nova York, que vem sendo aguardado com ansiedade em Wall Street, Obama falará sobre o que "está em jogo com as mudanças na regras" para os bancos, segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. O presidente deixou claro que as novas regulamentações visam impedir, em caso de nova crise, um programa de salvamento dos bancos. O senador democrata Christopher Dodd, presidente da comissão do Senado responsável pela reforma, também afirmou que, se nada for feito, os americanos continuarão vulneráveis a bancos como o Goldman Sachs.

Os republicanos estão reticentes em relação à reforma e a imprensa conservadora, capitaneada pelo Wall Street Journal, tem criticado o presidente e a SEC. O tradicional jornal americano afirmou em editorial que a decisão da agência regulatória americana foi tendenciosa. O diário ainda ironizou ao afirmar que, depois de 18 meses, o máximo que a SEC conseguiu descobrir foi a operação de uma unidade do Goldman e mais nada.

Os reflexos da acusação contra o Goldman continuaram ontem na Bolsa de Valores de Nova York. Apesar de o Citibank ter anunciado um lucro de US$ 4,43 bilhões no primeiro trimestre, saindo do vermelho pela primeira vez em dois anos, os índices Dow Jones e Nasdaq tiveram ontem apenas leves oscilações positivas.

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