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Processado por análise sobre o BankAtlantic, Richard Bove é abandonado por colegas e põe em discussão a liberdade de opinião

Richard X. Bove é um analista de banco que gosta de assumir o que ele chama de “posições extremas.” Ele às vezes agita o mercado acionário, o que lhe rendeu um certo prestígio e notoriedade - mas também o fez ser demitido várias vezes.

Em uma recente manhã de terça-feira, por exemplo, Bove, de seu escritório laranja brilhante, que fica em sua casa em Lutz (Flórida, ao norte de Tampa), deu a opinião de que novas regras impostas pelo governo reduziriam os lucros das hipotecas – e, consequentemente, também os ganhos dos bancos.
Para os padrões de Bove, não era um pronunciamento particularmente extremado. No entanto, as ações da Wells Fargo, maior banco do país em empréstimos imobiliários, começaram a cair - e seu telefone, a tocar.

“Isso é o que torna o jogo divertido, certo?”, diz ele.

O analista Richard X. Bove: briga para dizer o que pensa
The New York Times
O analista Richard X. Bove: briga para dizer o que pensa

Não nos últimos dois anos. Bove entrou em uma solitária batalha jurídica para manter seu direito de dizer o que quiser, um calvário que, segundo ele, tem sido tudo, menos divertido. O BankAtlantic, um banco da Flórida, processou o analista, acusando-o de difamação, depois que Bove escreveu um relatório sobre o setor bancário em julho de 2008, assim que a crise financeira começou a eclodir. O banco alegou que o relatório sugeria falsamente que a instituição estava em apuros.

O caso foi resolvido há três meses, e Bove não pagou um centavo ao BankAtlantic. Ainda assim, não foi uma vitória assim tão retumbante para Bove – ou, em um espectro mais amplo, para a liberdade de expressão em Wall Street, onde, segundo algumas pessoas, a necessidade de vozes independentes nunca foi tão aparente.

Embora Bove seja um dos mais conhecidos analistas de Wall Street, a maioria de seus colegas o abandonou depois de o BankAtlantic entrar com a ação. Nenhuma das associações de classe que representam os analistas de valores mobiliários ficou ao lado dele; seu empregador, por fim, também o abandonou. Aos 69 anos, Bove está às voltas com cerca de US$ 800 mil (R$ 1,36 milhão, em valores atuais) em honorários de advogados.“Mesmo que no aspecto jurídico eu tenha vencido, do ponto de vista do mundo real, eu perdi muito”, diz.

O relatório que motivou a ação, intitulado “Quem é o próximo?”, fez uma lista de 107 bancos, classificados entre os de maior e os de menor risco, de acordo com dois índices financeiros distintos, que deram origem a duas listas diferentes. A BankAtlantic Bancorp, holding que controla o BankAtlantic e tem ações negociadas em Bolsa, ficou em décimo em uma lista e, na outra, em 12º.

Alan B. Levan, o presidente e CEO da BankAtlantic Bancorp, entrou em muitos conflitos com críticos e investidores descontentes ao longo de sua carreira de 40 anos nas indústrias imobiliária e bancária da Flórida. Ele diz que entrou com o processo contra Bove para proteger a reputação de seu banco.

“Nos últimos três anos, todas as empresas nos Estados Unidos têm estado sob enorme pressão por causa da economia”, disse Levan, de 65 anos. “Nesse cenário, quando começam boatos imprecisos ou comentários que retratam um negócio sob uma luz que não é a correta, as empresas, em momentos de estresse, devem corrigir esses equívocos imediatamente. Caso contrário, a situação pode ficar muito perigosa.”

Como se vê, no entanto, os rankings elaborados por Bove revelaram-se enormemente corretos. Na primeira lista, oito das 20 empresas que ele afirmou estarem em risco quebraram, e a maioria das ações das demais companhias entraram em uma espiral descendente – e continuam em baixa. Na segunda classificação, nove dos 20 maiores bancos desapareceram.

Finanças pressionadas

As ações da BankAtlantic Bancorp valem atualmente pouco menos de US$ 1, valor muito abaixo de patamar recorde de US$ 100, atingido no fim de 2004. A empresa continua a lutar sob o peso de seu enorme patrimônio imobiliário na Flórida, e alguns analistas afirmam que as normas mais rigorosas para o setor bancário adicionaram pressão às finanças da holding.

Maclovio Pina, analista do setor bancário da Morningstar, diz que o BankAtlantic deve continuar nessa batalha. “Na nossa opinião, é um futuro sombrio”, diz ele.

Embora não seja incomum que executivos de bancos reclamem de analistas, é muito raro que estes sejam processados. Por um lado, muitos advogados acreditam que é difícil processar alguém, com sucesso, por causa de suas opiniões. É também um desafio provar que o relatório de um único analista pode realmente prejudicar os negócios de uma empresa.

Mas o caso do BankAtlantic, acompanhado de perto pela indústria bancária, parece ter captado a angústia que os dirigentes bancários sentiram em 2008, quando algumas das instituições mais veneradas do mercado caíram no precipício. Levan não foi o executivo de banco a culpar os outros quando as ações de sua empresa miaram. Um coro dos dirigentes do setor, na derrocada de Lehman Brothers e Morgan Stanley, culpou publicamente céticos e investidores pela queda de suas ações.

Poucos executivos do setor bancário, no entanto, levaram suas queixas tão longe quanto Levan. Se Levan é sensível em relação a seu banco, pode ser porque ele, em meio a um sonolento mercado de poupanças e empréstimos, construiu o segundo maior banco da Flórida, atrás apenas do BankUnited. Levan controla o banco e a holding com um pequeno grupo de sócios, que inclui seu filho, Jarett Levan, nomeado executivo-chefe do banco em 2007.

Estrutura complexa

A estrutura de controle é complexa: Alan Levan e seus sócios comandam uma empresa chamada BFC Financial, que detém ações da BankAtlantic Bancorp, a companhia que, por sua vez, controla o BankAtlantic. Levan e seus sócios comandam a BFC e o BankAtlantic por meio de uma classe especial de ações com direito a voto.

“Nós não gostamos de diferentes classes de ações”, diz Paul Hodgson, sócio sênior de pesquisas da Corporate Library, que monitora práticas de governança corporativa. “Não acreditamos que elas sejam boas para os acionistas, e nosso raciocínio é que é muito fácil para o acionista controlador dirigir a empresa em nome de seu próprio benefício financeiro, em detrimento do benefício de todos os acionistas.”

Levan afirma não concordar com essas críticas. A estrutura acionária da companhia permitiu a ela manter-se independente, enquanto muitos outros bancos da Flórida foram absorvidos pelos bancos de fora do Estado ou saíram do mercado. Ele observa que a estrutura acionária é semelhante à do The New York Times Company.

Levan mudou-se para a Flórida após um breve período em Wall Street e começou no negócio imobiliário. Em meados da década de 1980, entrou no setor bancário por meio da compra de ações do BankAtlantic, que então se chamava Atlantic Federal Savings and Loan Bank. Em 1987, ele estava comandando a instituição.

"O banco mais conveniente"

Como principal executivo, Levan supervisionou 20 anos de expansão. Ele rebatizou o BankAtlantic como “o banco mais conveniente da Flórida”, mantendo filiais abertas nos fins de semana. A forte rede de agências da instituição é um de seus melhores ativos, dizem analistas, o que dá a ela uma fonte estável de captação de recursos.

Alan Levan toca o sino de abertura da Bolsa de Nova York em 27 de agosto:
The New York Times
Alan Levan toca o sino de abertura da Bolsa de Nova York em 27 de agosto: "fala amistosa e espírito de briga"

Ao longo do tempo, Levan muitas vezes percorreu grandes extensões para proteger as fortunas de seu banco e sua própria reputação. Na década de 1980, por exemplo, após vários trimestres de prejuízos, o BankAtlantic ficou em situação tão precária que Levan teve que lutar para mantê-lo financeiramente em funcionamento, de acordo com documentos judiciais.

Levan, que estava comandando parcerias que investiram no setor imobiliário da Flórida, convenceu milhares de pequenos investidores a trocarem suas ações por dívida em BFC. Ele, então, vendeu esse patrimônio imobiliário, o que lhe deu dinheiro para reforçar as finanças do BankAtlantic, ainda segundo os registros judiciais.

Mais adiante, alguns dos investidores processaram Levan, argumentando que tinham sido enganados. Um juiz, em um caso similar, corroborou essa leitura, escrevendo que as operações foram um negócio que “uma pessoa, mesmo levemente a par do mundo dos investimentos, concluiria ser injusto.”

A ABC News exibiu uma matéria crítica sobre os acordos de Levan no setor imobiliário, e ele processou a rede, acusando-a de calúnia. A ABC acabou vencendo depois de a Suprema Corte ter se recusado a ouvir o caso.

Mais recentemente, com uma carteira de empréstimos do BankAtlantic abatida pela recessão, Levan tomou várias medidas para fortalecer as finanças do banco e para apaziguar os reguladores. As decisões incluíram um anúncio veiculado neste mês de que o banco estava tentando levantar US$ 125 milhões em capital.

Ele também transferiu ativos problemáticos do BankAtlantic para a holding. Como os reguladores não exigem que a empresa controladora seja tão financeiramente sólida quanto o BankAtlantic, a manobra os satisfez – e o ônus se transferiu para a holding.

Em 2008, Levan vendeu US$ 101,5 milhões em empréstimos comerciais problemáticos do banco para a holding para 93,5 centavos por dólar. Desde então, os empréstimos perderam metade de seu valor, mas a transferência impediu que recessão abatesse BankAtlantic ainda mais.

Legisladores e reguladores, como parte da recente reforma financeira, estão planejando novas regras, que vão exigir que as holdings, e também suas subsidiárias, sejam financeiramente mais sólidas.

Sequestro da família

À medida que sua carreira ascendia, Levan foi notícia por causa de um assunto pessoal. Em 1988, três bandidos armados entraram em sua casa no sul da Flórida, sequestraram sua primeira esposa e sua filha e exigiram quase um quarto de milhão de dólares em resgates. Levan pagou os sequestradores, e sua família mais tarde foi encontrada ilesa no porta-malas de seu Mercedes-Benz, de acordo com o “The Miami Herald”.

Um ex-colega no BankAtlantic diz que tanto quanto ter uma fala leve e amistosa, ele é rápido para avaliar situações e está sempre pronto para entrar em combate. Ele não reage bem a críticas e tem uma tendência a continuar a luta por muito tempo, diz a mesma fonte, que pediu anonimato para não se indispor com Levan.

O banqueiro discorda da observação. “Se algo ficou claro nos eventos recentes, esse fato é que temos incentivado e tolerado divergências até o ponto do erro”, diz ele. “Nós sobrevivemos à crise bancária mais recente, quando nem os gigantes conseguiram, ao sermos flexíveis em nossa abordagem de questões complexas e fora do comum.”

Analista anômalo

Bove, que cresceu em Nova York, é um pouco mais que uma anomalia entre os analistas de bancos. Ele tem o dobro da idade de muitos de seus concorrentes e aprecia falar com a imprensa; muitos outros não estão autorizados a fazer aparições ou só o fazem a contragosto. E ele só sai de casa para trabalhar para uma pequena empresa de valores mobiliários, com os netos e os cães pulando a sua porta, em vez de em um grande banco em Manhattan.

Ele cobre o setor bancário há cerca de três décadas, tempo em que muitos de seus contemporâneos mudaram para carreiras de gestão do recursos, atividade mais lucrativa. “Por alguma razão, eu realmente gosto do que faço, e eu não quero fazer mais nada”, afirma.

Mesmo no meio do litígio com o BankAtlantic, Bove continuou a enviar ao menos um relatório por dia – e às vezes até cinco. Ele diz que tenta capturar o panorama geral em vez de se ater a filigranas de detalhes financeiros encontradas nos demonstrativos financeiros.

“Qual é a razão de me pagar para ser 14º cara a lhe dizer o que vai acontecer com o Citigroup no segundo trimestre?”, ele diz. “Não há utilidade nenhuma para um sujeito que opera em uma boutique reproduzir o trabalho de outros analistas.”

Um ponto alto na carreira de Bove ocorreu em 2005. Em agosto daquele ano, ele emitiu um relatório de oito páginas intitulado “Esse barril de pólvora vai explodir”. O analista argumentou que as normas frouxas de empréstimos criaram a bolha imobiliária e que um fim abrupto e doloroso estava para chegar. “Quando escrevi isso, as pessoas pensaram que eu estava louco”, lembra. “Agora, se eu tivesse dito isso até 2008, eu seria o herói da América.”

Depois de analisar corretamente a chegada da crise bancária, Bove acreditou que, na primavera de 2008 (que começa em março no hemisfério norte), o pior já tinha passado. Ele cometeu um grande engano ao encorajar os investidores naquele momento a comprar ações de bancos e ficou otimista com o verão, quando ele lançou “Quem é o próximo?”. Ações de bancos desmoronaram meses depois, até se recuperarem novamente em 2009.

Lista saudável de clientes

Mesmo saltando de uma empresa para outra, ele tem mantido uma lista saudável de clientes. Bancos e fundos mútuos são seus principais clientes, seguidos pelos fundos de hedge, afirma.

Alguns executivos de bancos que conheceram Bove ao longo dos anos o têm em alta conta. “Nós certamente nem sempre concordamos com suas avaliações”, diz John A. IV Allison, ex-executivo chefe do BB&T, o maior banco regional, sediado em Winston-Salem, Carolina do Norte. “Minha experiência foi que ele tinha uma visão de muito raciocínio. Eu daria a ele uma nota alta.”

Bove também tem sua cota de detratores, que o criticam pela presença onipresente na mídia e uma predileção por mudar suas opiniões muito rapidamente. Vários sugerem que Bove é inconsistente, fazendo uma análise brilhante em uma semana e uma medíocre na próxima.

Mas Andy Kessler, ex-analista de Wall Street, diz que é comum os analistas mudarem seu estilo para atender seus clientes. “Se seus clientes são principalmente os fundos de hedge, você vai apresentar muita análise de curto prazo”, diz ele.

Bove se mudou com sua mulher, Christel, que tem cegueira causada por esclerose múltipla, e seus sete filhos de Nova York para a Flórida em 1994. Foi depois disso que ele diz ter encontrado Levan, em uma série de reuniões no final dos anos 1990. Bove lembra de Levan estar otimista sobre as perspectivas do BankAtlantic.

“Eu não me lembro de alguma vez ter tido uma reunião negativa com o BankAtlantic”, diz Bove. Quanto a Levan: “Ele era um homem muito cativante. Ele foi amigável. Ele estava aberto. Eu pensei que ele tinha respondido as perguntas de uma forma muito franca”.

A singularidade do processo do BankAtlantic, Bove diz, está relacionada ao fato de ele, na época, estar mais otimista que outros analistas, o que acabou por ser um erro, dada a crise financeira que se seguiu. O subtítulo de “Quem é o próximo?”, de fato, é “não são tantos candidatos como se poderia imaginar.”
Depois que o relatório foi distribuído, levou apenas oito dias para o BankAtlantic entrar com o processo. Levan declarou na época: “Se alguém sabe ‘quem é o próximo?’, esse alguém é o pessoal da FDIC, que tem montanhas de informações financeiras detalhadas sobre cada instituição que está usando o seguro de depósito. Eles, no entanto, mantêm o que sabem para si mesmos – por alguma boa razão.”

Pedido de correção

O banco queria Bove corrigisse seu relatório, que havia classificado a holding, não o BankAtlantic em particular. Levan argumenta que a mídia interpretou mal o relatório, dizendo que o banco, e não a holding, estava em apuros. A distinção é importante, disse ele, porque o banco tem se mantido bem capitalizado. Esses níveis de capital têm mantido os reguladores felizes, mesmo que alguns analistas questionem a saúde financeira da empresa controladora.

Em certa medida, Levan está apenas repartindo o bolo: é a holding que tem capital aberto, e seus ativos são quase inteiramente compostos por ativos do BankAtlantic. Então, os destinos das duas instituições estão intimamente ligados.

Bove disse que se ele não tivesse enfrentando o processo, ele e outros analistas teriam seu trabalho e suas carreiras minados por avalanches de processos. “Eu estou tentando proteger a minha capacidade de fazer o meu trabalho”, diz ele. “Qualquer empresa poderia direcionar minha pesquisa se eu permitisse isso.”

Ainda assim, à exceção de poucos especialistas, ninguém apareceu para ajudá-lo, disse Bove. Várias associações que representam analistas de ações e títulos mobiliários declinaram pedidos de Bove para ajudá-lo a pagar suas despesas legais, diz ele. As entidades (Securities Industry and Financial Markets Association; New York Society of Security Analysts; e CFA Institute) preferiram não fazer comentários.

O banco de investimento Ladenburg Thalmann, ex-empregador de Bove, optou por encerrar sua parte no processo pagando ao BankAtlantic US$ 350 mil, sem admitir qualquer irregularidade, e deixando Bove para se defender. Ele alega ter saído da empresa em fevereiro por causa de divergências sobre o processo e agora trabalha para a Rochdale Securities.

A Financial Industry Regulatory Authority, que monitora o mercado de títulos de forma independente, iniciou uma investigação sobre Bove em 2008, exigindo seus registros sobre o BankAtlantic e interrogando-o por meio dia. Ele nunca foi punido. O Ladenburg não quis comentar o assunto, assim como a reguladora, que também se recusou a dizer por que ela começou investigar o analista.

Comparação com a imprensa

John C. Coffee Jr., professor de Direito na Universidade de Columbia, compara Bove a um repórter que é processado por um artigo. Mas, diz ele, a imprensa fecha questão quando repórteres têm ameaçado o direito garantido pela Primeira Emenda (que trata da liberdade de expressão), enquanto analistas de valores mobiliários são um grupo muito menos coeso. Ainda assim, afirme Coffee, o interesse pelo caso de Bove ficou alto porque um resultado negativo poderia “calar o debate livre”. “Qualquer um que seja forçado a entrar em um caso como esse aumenta a chance de um CEO mais combativo vir a processar o próximo analista que o desafiar”, acrescenta.

Como parte de seu processo contra Bove, Levan sustentou que o BankAtlantic era financeiramente saudável. Embora seja verdade que o BankAtlantic cumpriu os requisitos financeiros impostos pela entidade reguladora, a holding, que absorveu uma grande parte dos ativos problemáticos do BankAtlantic, perdeu dinheiro nos últimos 12 trimestres.

A despeito de Levan ter dito em uma entrevista que seu banco não requisitou ajuda governamental durante a crise financeira, os registros do próprio banco mostram que a requisição ocorreu. Questionado sobre isso, Levan enviou um e-mail esclarecendo o assunto: “Nós preenchemos um formulário para manter nossas opções abertas, mas o retiramos a antes do prazo. Em nenhum momento nós tomamos a decisão de aceitar verbas federais.”

Em fevereiro deste ano, Levan abordou alguns dos detentores de títulos de dívida do BankAtlantic da dívida e pediu-lhes para vender os seus títulos de volta ao banco por 20 centavos para cada dólar. Os investidores resistiram, liderados por um fundo de hedge de Nova York chamado Hildene Capital Management.

“A proposta parece fora de sintonia com sua voraz defesa de sua condição financeira”, escreveu John Scannell, diretor de operações da Hildene, em carta com data de fevereiro. “Por exemplo: o BankAtlantic parecia tão preocupado com as implicações da notícia de que estava em dificuldades que processou o analista Dick Bove, em 2008.”

Em vez de pedir que os titulares da dívida aceitassem um desconto, Scannell diz ter sugerido que Levan e seu filho tivessem grandes cortes em suas remunerações. Levan diz não lembrar de detalhes de suas conversas com Hildene, mas afirma que a empresa não influenciou sua decisão de desistir da oferta de troca da dívida.

Integridade questionada

No mês passado, um juiz federal, em uma ação judicial contra a holding controladora do BankAtlantic, questionou a integridade de Levan – o juiz alegou que Levan prestou declarações falsas em 2007 sobre o volume de empréstimos ruins. Os demandantes alegam que Levan fez isso intencionalmente para elevar artificialmente o preço das ações.

Levan nega a acusação e afirma não concordar com a avaliação do juiz. Na semana passada, no entanto, o juiz negou o pedido de Levan para reconsiderar o assunto. O caso ainda está pendente.
Enquanto isso, Levan duela com investidores de outras empresas nas quais a holding tem participações – a cadeia de restaurantes Benihana e a Woodbridge Holdings, antes conhecida como Corp Levitt, a construtora famosa pelas osbras do subúrbio-modelo Levittown, em Long Island.

O BankAtlantic entrou em conversações relacionadas ao caso Bove em março. Levan argumentou que o relatório de Bove tinha danificado a reputação do banco. Mas, “ao fim do dia, aquele pode não ter sido um argumento forte para eles”, diz Thomas F. Holt Jr., advogado de Bove. Se o caso tivesse ido ao tribunal, afirma Holt, ele planejava colocar em discussão a reputação do BankAtlantic.

Levan discorda dessa avaliação. “Não há nada que Holt tenha dito ou que viesse a dizer ou fazer que tivesse qualquer relação com a nossa visão sobre o processo contra Bove”, diz ele.

Levan diz que ele e o BankAtlantic conseguiram exatamente o que queriam do processo contra Bove. Como parte do acordo, Bove apresentou um comunicado reiterando que seu ranking não inclui o BankAtlantic. (Mas ele inclui a holding controladora).

Ainda assim, Levan pode não ter conquistado tudo o que queria. Por um lado, ele disse que o banco não processou Bove por dinheiro, mas e-mails do advogado do BankAtlantic mostram que a empresa queria obter US$ 650 mil do analista. Além disso, segundo as mensagens eletrônicas, o BankAtlantic procurava uma declaração muito mais forte que a apresentada por Bove.

Levan, de qualquer forma, permanece otimista em relação a seu banco. Ele e seu filho tocaram o sino de abertura da Bolsa de Nova York no mês passado, e Levan alega que a sua empresa é “uma história fantástica de um banco que passou muito bem pela recessão”.

Bove, por seu lado, diz que sua rivalidade com Levan foi desanimadora. Ele ficou particularmente frustrado com os reguladores do governo, os quais, ele acredita, ignoraram os sinais vermelhos de alerta sobre o BankAtlantic durante anos.

Como ele continua a produzir pareceres sobre as ações de bancos, Bove disse que não tem intenção de opinar sobre a BankAtlantic Bancorp novamente. Nada pessoal, ele diz, mas a instituição bancária é muito pequena agora para o interesse de seus clientes.

“É uma decisão puramente econômica”, afirma.

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