Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em alta, impulsionados pela decisão do banco central do Japão de afrouxar a política monetária do país e diante de dados que mostraram uma expansão na atividade do setor de serviços norte-americano no mês passado

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Os principais índices do mercado de ações dos EUA fecharam em alta, impulsionados pela decisão do banco central do Japão de afrouxar a política monetária do país e diante de dados que mostraram uma expansão na atividade do setor de serviços norte-americano no mês passado.

O Dow Jones subiu 193,45 pontos, ou 1,80%, para 10.944,72 pontos - o maior nível de fechamento desde 3 de maio, quando o índice encerrou a sessão a 11.151,83 pontos. A Boeing teve o maior avanço entre os integrantes do Dow Jones, de 3,42%, seguida por Bank of America (+3,12%) e DuPont (+3,04%). A American Express foi o único componente que fechou em queda, de 1,95%, com investidores digerindo a decisão da companhia de combater uma ação civil antitruste movida pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Entre os demais índices, o Nasdaq ganhou 55,31 pontos, ou 2,36%, para 2.399,83 pontos. O S&P 500 fechou em alta de 23,72 pontos, ou 2,09%, a 1.160,75 pontos. Fora dos índices, as ações da Mosaic subiram 3,42% após a companhia divulgar que seu lucro do primeiro trimestre fiscal praticamente triplicou na comparação com igual período do ano passado, impulsionado por um aumento na receita e nas margens da companhia.

Segundo o Instituto para Gestão de Oferta (ISM, em inglês), o índice de atividade do setor de serviços dos EUA avançou para 53,2 em setembro, de 51,5 em agosto, enquanto analistas esperavam um aumento para 52,0. A leitura, superior a 50, indica expansão do setor.

Para o diretor de negociações da Third Wave Global Investors, David Kupersmith, a melhora no indicador é um bom sinal, especialmente porque alguns dados divulgados recentemente apontaram para uma desaceleração no ritmo de crescimento da atividade industrial norte-americana. "Isto reduz a chance de um novo resfriamento", avaliou, acrescentando que "se fosse ocorrer um novo mergulho (da economia), o setor de serviços passaria por uma estagnação. Não é isso que estamos vendo."

Também contribuiu para o avanço das ações o fato de o Banco do Japão (BoJ, em inglês) ter anunciado que vai utilizar 5 trilhões de ienes para comprar títulos e que reduziu sua taxa básica de juro para uma faixa de zero a 0,1% ao ano para tentar amenizar o efeito recessivo da valorização do iene e da deflação.

"O esforço de reflação não está vindo meramente dos EUA, é uma política que aparentemente será adotada em termos abrangentes", disse Stephen Lieber, executivo-chefe de investimentos do Alpine Mutual Funds. "Qualquer estímulo vindo das nações que estão dentro do comércio mundial deve ser visto como positivo."

O banco central da Austrália, que também anunciou sua decisão de política monetária nesta terça-feira, manteve a taxa básica de juro em 4,5%, surpreendendo os analistas, que esperavam um aumento de 0,25 ponto porcentual.

O otimismo dos investidores ocorre alguns dias antes da divulgação do relatório mensal do Departamento do Trabalho dos EUA sobre a situação do mercado de mão de obra do país, que deve ser divulgado na sexta-feira. Segundo Bruce Bittles, estrategista-chefe de investimentos da Robert W. Baird, o mercado deve ficar satisfeito com os dados, independentemente do que eles apontarem, já que uma leitura fraca fornecerá argumentos para que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) adote o afrouxamento quantitativo, enquanto uma leitura forte sinalizará melhora na economia.

"Enquanto o Fed estiver disposto a imprimir dinheiro, todos esses relatórios econômicos serão considerados favoráveis", disse Bittles. "Isso vai durar o tempo que o Fed estiver disposto a amparar o mercado de ações." As informações são da Dow Jones.

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