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Pereira enfatizou a necessidade de manter a inflação baixa e a importância de adoção de uma política fiscal responsável

O novo diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, enfatizou ontem a necessidade de manter a inflação baixa e a importância de adoção de uma política fiscal responsável, durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado. Sobre política externa e câmbio, assuntos mais diretamente ligados a sua diretoria, falou menos. Awazu costurou o discurso com tom muito semelhante ao de documentos recentes do BC, como a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e Relatório de Inflação.

Dessa maneira, demonstrou unidade na diretoria do BC nas vésperas da reunião do Copom de 27 e 28 de abril, que deve elevar a taxa Selic. A indicação do novo diretor foi aprovada por unanimidade pelos 18 senadores presentes. "A contribuição fundamental da política monetária é manter a inflação continuamente e previsivelmente em níveis baixos e estáveis", disse no início de seu discurso, ao citar que a inflação controlada é "condição necessária" à estabilidade e ao crescimento econômico. No tema fiscal, defendeu medidas "responsáveis" e fez até um discreto alerta quanto ao aumento de gastos públicos na crise.

"O sucesso de nossas políticas contracíclicas deve ser preservado mantendo-se sua sustentabilidade fiscal." Ao sinalizar um Copom coeso, Awazu tenta também acabar com eventual aresta resultante da saída do diretor de Política Econômica, Mario Mesquita, que deixou o BC no fim de março descontente com algumas avaliações em documentos do órgão. A indicação de Awazu deverá ser apreciada pelo plenário do Senado e, depois, será sancionada pelo presidente Lula. Meirelles.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reiterou ontem que qualquer decisão que envolva a taxa de juros seguirá a orientação de manter a inflação na meta, durante palestra no 23.º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre (RS). Como a plateia esperava alguma manifestação sobre a próxima reunião do Copom, Meirelles disse que vem ouvindo frases como "se a Selic subir, o crescimento do Brasil vai entrar em colapso".

Avisou que não anteciparia nenhuma decisão, mas ressaltou: manter a inflação na meta significa evitar riscos, garantir investimento e também reduzir os juros reais a longo prazo. Recorrendo à analogia com um carro em movimento, disse que existe o uso adequado do freio para obter a velocidade segura. Questionado, no fim do evento, se os comentários indicariam uma ação mais suave no controle da inflação, respondeu: "O que eu quis dizer é que as pessoas, visando impedir que o BC tome qualquer medida restritiva, não contemplam a hipótese de um uso adequado do breque, acham que só tem freio de mão".

Segundo Meirelles, fatores como maior abertura do mercado e desoneração de investimentos podem ajudar a reduzir a inflação e são todos desejáveis. "O problema é quando nós nos fixamos nessas questões ideais e deixamos de controlar pelo instrumento que tem resposta rápida, de curto prazo e que funciona bem, que é a taxa de juros."

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