Novatas chegam, mas Petrobras continuará com peso

Velha economia abrirá espaço para novatas, mas Petrobras mantém importância

Aline Cury Zampieri, iG São Paulo | 25/03/2010 06:00

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Com a entrada de novos setores, papéis da “velha economia”, ligados a commodities, como minério e produtos siderúrgicos, terão de ceder espaço aos entrantes. “Vale, Usiminas e Gerdau, por exemplo, não perderão espaço por falta de atratividade, mas para ceder lugar a outros setores também importantes na economia”, afirma Lika Takahashi, coordenadora de análise de investimento e estrategista da Fator Corretora.

Isso porquê, em dez anos, a China estará bem maior e a Vale continuará a crescer para atender a essa demanda, mas num ritmo menor que o atual, afirma Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais em São Paulo (Apimec-SP).

A perda de espaço da velha economia, no entanto, não deve atingir o papel de maior peso no mercado desde sempre: Petrobras. “As ações se manterão com peso significativo em função do potencial de crescimento com as reservas do pré-sal”, diz Luiz Antonio Vaz das Neves, da KNA Consultores.

Levantamento feito pelo iG com base em números da Bovespa (ver tabelas) mostra que, desde a década de 1980, as ações preferenciais (sem direito a voto) da estatal de petróleo mantêm fatia significativa no Ibovespa, quase sempre acima de 10%. A importância da Petrobras e do setor de petróleo ainda será suficiente para atrair mais empresas. Um exemplo recente foi a abertura de capital da OGX, do empresário Eike Batista.

Finanças e construção

Outro setor que deve continuar representativo é o financeiro, que inclui bancos, seguradoras, operadoras de cartão de crédito e até as ações da própria BM&FBovespa. “Os papéis da Bolsa devem elevar a fatia no Ibovespa, em função da própria projeção de crescimento dos negócios com renda variável”, diz Neves.

Pedro Galdi, chefe de análise da SLW Corretora, reforça que os bancos devem se manter representativos. “Santander, por exemplo, em breve deve entrar para o Ibovespa”, diz. Entretanto, ele acredita que todos os pequenos deixarão a Bolsa até 2020, por falta de interesse dos investidores e de liquidez.

Construção civil, devido ao potencial de crescimento da economia brasileira, é aposta da maioria dos analistas. Mas, Neves, da KNA, faz uma ressalva. Segundo ele, as construtoras têm ciclos na Bolsa e já foram representativas em outras décadas, mas entram, captam, e saem do mercado. “A fase de capitalização do segmento é agora.” Ele lembra que as ações da Rossi Engenharia chegaram a ser as mais negociadas do mercado na década de 1970.
 

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