Ferramenta permite que grandes investidores, como bancos e fundos de pensão, tenham acesso direto aos negócios com ações na Bolsa

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) prepara para setembro o lançamento do Acesso Direto ao Mercado (DMA, na sigla em inglês) para grandes investidores do segmento Bovespa. O sistema já existe hoje, mas somente aceita negociações com derivativos. “O acesso direto para o segmento de ações é um ótimo fator de crescimento”, avalia Edemir Pinto, diretor-presidente da BM&FBovespa.

Segundo Edemir, a autorização para o acesso direto de grandes investidores já estava pedida na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) “há tempos”, mas a impressão do executivo é de que o regulador se apressou em dar a autorização diante das ocorrências de maio deste ano em Nova York, em que uma operação com cotação errada das ações da Procter & Gamble passou pelo sistema, fez a Bolsa despencar e abalou os mercados do mundo todo. “No primeiro mês devemos começar a sentir as diferenças desse segmento no mercado de ações”, prevê Edemir. “Esse segmento, de alta freqüência, deve gerar um aumento dos negócios de forma geral. É o que tem acontecido no segmento BM&F, que tem crescido a cada mês.”

Hoje, o acesso direto do segmento Bovespa é realizado somente pelo modelo 1, ou tradicional, em que o cliente opera no sistema Mega Bolsa por intermédio da estrutura tecnológica da corretora. No modelo 2 ou via provedor, o cliente não usa a estrutura anterior e se conecta ao sistema por um provedor de acesso autorizado. No modelo 3 de DMA, o cliente acessa a plataforma de negociação da Bolsa via conexão direta. No modelo 4 ou via “co-location”, o cliente instala seu próprio computador dentro da Bolsa, diz comunicado da BM&FBovespa enviado ao mercado.

Investimentos

A liberação de acesso direto para grandes investidores foi possível por conta dos investimentos que a Bolsa fez neste ano em tecnologia. O orçamento total para 2010 é de R$ 272 milhões. No segundo trimestre, foram R$ 59,9 milhões apenas em tecnologia da informação.

Além do acesso direto em quatro níveis para ações, a Bolsa trabalha desde fevereiro no projeto de um novo sistema de negociação geral. No primeiro trimestre de 2011, ele já deve estar operando para negócios com derivativos e câmbio, o segmento de ações muda o sistema no primeiro trimestre de 2012 e o segmento de renda fixa, no segundo trimestre desse mesmo ano.

Esse novo sistema irá ampliar a capacidade e a velocidade dos negócios. Segundo a Bolsa, o segmento Bovespa terá a capacidade elevada de 1,5 milhão de negócios/dia para 3 milhões de negócios/dia até o último trimestre deste ano. No segmento BM&F, a ampliação será de 200 mil para 400 mil negócios/dia já neste terceiro trimestre. Ambos os segmentos terão melhoria da performance, fazendo com que a latência, ou seja, o tempo de processamento de uma operação, fique abaixo de 10 milissegundos.

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