Com a nova Ptax, governo pretende tirar a força do mercado futuro e aumentar volume de negócios à vista

Tornar o mercado de câmbio brasileiro mais transparente, com uma cotação "mais fidedigna" de uma taxa de mercado, além de tirar a força do mercado futuro e aumentar a liquidez do mercado à vista. Esses são os principais focos da mudança na metodologia da Ptax, taxa média de câmbio do interbancário, a vigorar em 1º de julho de 2011, segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Aldo Mendes. A medida vai facilitar, bastante, para a própria autoridade monetária, em suas compras de dólares no mercado spot.

Além de tirar poder de operações especulativas feitas pelos próprios bancos, no vencimento dos contratos, para manipular a taxa. "A medida não tem o objetivo de reduzir a volatilidade", disse Mendes, ao anunciar a circular 3.506. Ele não quis relacionar a mudança a nenhum dos fatores que hoje estão pressionando a taxa de câmbio para baixo. Com a alteração, o BC vai abandonar o cálculo atual da Ptax, formado por uma média ponderada dos preços praticados no interbancário, e divulgada somente às 17h30, ou seja, depois que o mercado fechou. "Isso é uma deficiência do nosso sistema", o que leva muitas operações a serem feitas "no escuro", disse o diretor.

A nova Ptax será objeto de consulta aos 14 dealers, e divulgação às 10h00; 11h00; 12h00 e às 13h00. A Ptax final será uma média diária aritmética que sairá logo após as 13h00, tendo cortes nos dois valores maiores e nos dois menores. "Próximo da metodologia da Libor", taxa de juros londrina. "Será a taxa de mercado naquele momento", disse o diretor. Segundo ele, hoje as operações se dão de forma casada. Qualquer operação no mercado à vista, que movimenta cerca de US$ 2 bilhões, é travada no mercado futuro, que movimenta cerca de seis vezes mais do spot. "Uma das consequências é que o mercado à vista aumente os volumes, ganhe mais importância", disse Mendes.

Outra será "trazer as operações um pouco mais cedo", continuou ele. Estudo do BC aponta que o mercado futuro de câmbio ganhou a importância que tem no Brasil na transição do regime de câmbio flutuante, adotado a partir de 1999, quando as operações à vista passaram a apresentar muitos riscos. Os agentes achavam o futuro "mais livre" de travas, onde até hoje qualquer um pode operar, inclusive pessoas físicas. Além disso, a BM&F criou uma clearing para garantir o risco das operações cambiais no futuro e, finalmente, após 2003 as operações passaram a ser casadas para eliminar o risco cambial.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.