Caixas eletrônicos já são os preferidos da população. Em um ano e meio, bancos demitem 10% da força de trabalho, diz Contraf

A cada ano, os bancos estão discutindo greves e salários com cada vez menos funcionários. Nesta quarta-feira, termina uma paralisação que durou 15 dias e cujos termos ajustados ficaram no meio do caminho, tanto para os empregados quanto para os patrões.

O percentual de aumento salarial definido, de 7,5%, ficou entre os 4,29% de reposição da inflação oferecidos pelos bancos e os 11% pedidos pelos funcionários. Neste ano, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), os grevistas fecharam quase metade das 18 mil agências do País, ou 8,2 mil unidades, ante 7,2 mil no ano passado. Apesar da mobilização, são cada vez menos bancários lutando por salários.

Uma pesquisa recente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que os caixas das agências são apenas o terceiro canal mais utilizado pela população para operações bancárias. Fortes investimentos em tecnologia e automação fizeram com que os caixas eletrônicos e a Internet passassem à frente da preferência do público na hora do atendimento.

A Febraban conta que, na última década, os aportes maciços dos bancos em tecnologia fizeram com que o número de caixas eletrônicos existentes no País aumentasse 60%, de 108,4 mil (2000) para 173,4 mil (2009). Com isso, os caixas eletrônicos tornaram-se o canal preferido da população para realização das operações bancárias, com um terço do total (33,2%). Só em 2009, os bancos investiram R$ 19,4 bilhões em automação.

Com 9,3 bilhões de transações em 2009 (20% do total), o acesso pela Internet se transformou no segundo canal mais adotado pela população. Na comparação com os dados de 2000, o crescimento desse canal é muito forte, de 1.229%. Já os caixas das agências são a terceira via mais utilizada, com 10% das operações.

Mais tecnologia, menos funcionários

Essa corrida pela automação se reflete no número de funcionários trabalhando em bancos atualmente. Levantamento também recente da Contraf-Cut mostra que, de janeiro de 2009 a junho de 2010, os bancos demitiram 48.295 empregados, ou 10,25% da categoria. Os dados foram apurados com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego. O estoque de emprego nos bancos foi de 471.232 no final do primeiro semestre deste ano.

“No mesmo período as instituições financeiras geraram somente 9.048 novos postos de trabalho”, diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

O emprego bancário foi o tema da terceira rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) pela Campanha Nacional dos Bancários 2010.

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