O aumento expressivo do preço dos imóveis no Brasil não constitui uma bolha imobiliária. A constatação foi feita nesta quinta-feira pelo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio França, com base em um estudo da MB Associados encomendado pela entidade.
“Não há valorização generalizado sem fundamentos. Os preços não se movem apenas com a expectativa de preços futuros, mas com base em fundamentos macroeconômicos”, afirmou França.
A expansão da classe média, o aumento e as melhores condições do crédito, a estabilidade da economia e a existência de um déficit habitacional no país mostram que a demanda por imóveis é real e não especulativa, segundo o presidente da Abecip. Para ele, a expansão do preço dos imóveis pode ser absorvida pelo aumento da renda da população.
A valorização imobiliária é um reflexo da retomada do setor nos últimos quatro anos após um período de cerca de 20 anos de estagnação, puxado por inflação e juro elevados. “Todo mundo que não comprou imóveis na última década está comprando agora”, afirma o presidente interino do Sindicato da Habitação (Secovi), Flavio Prando.
Preços vão subir mais
Os imóveis devem ficar ainda mais caros nos próximos anos, mas a expansão dos preços será em ritmo menor, de acordo com expectativas do Secovi. Este movimento de alta é puxado pela própria expansão do número de famílias no país.
A estimativa do sindicato é que o mercado brasileiro exige atualmente 1,5 milhão de novas moradias por ano. E, em 2020, este número subirá para 2 milhões. Segundo Prando, a construção de imóveis não chega neste número, o que manterá a demanda residencial maior do que a oferta e, consequentemente, o aumento dos preços.