SÃO PAULO - Depois de fechar a quarta sem direção única, a curva de juros futuros ganhou viés de baixa de forma uniforme nesta quinta-feira e assim ficou até o encerramento dos negócios. Apesar da instabilidade dos últimos dias, ainda não há mudança estrutural da curva, pois tanto as altas quanto as quedas continuam respeitando uma banda de oscilação. No caso do contrato janeiro de 2012, um dos mais líquidos, o piso fica em 11,50%.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava estabilidade a 10,64%. Outubro de 2010 não tinha oscilação a 10,71%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, projetava 10,79%, perda de 0,01 ponto. Entre os longos o ajuste foi maior, janeiro de 2012 caía 0,06 ponto, a 11,52%, depois de cair a 11,49%. Janeiro de 2013 apontava baixa de 0,03 ponto, a 11,75%. E janeiro 2014 devolvia 0,05 ponto, também a 11,75%. Até as 16h10, foram negociados 840.425 contratos, equivalentes a R$ 70,97 bilhões (US$ 40,18 bilhões), queda de 14% sobre o registrado ontem. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 297.310 contratos, equivalentes a R$ 14,47 bilhões (US$ 11,36 bilhões). Segundo um gestor de renda fixa que preferiu não se identificar, com o cenário nebuloso no mercado externo e sem saída definida para esse ambiente de crise, fica difícil prever um processo de crescimento. Então, o mercado passa a enxergar que juros podem ser menores no futuro. Pelo lado doméstico, diz o especialista, o cenário também sugere taxa de juros mais baixa. Depois do salto de crescimento do começo do ano, a atividade volta ao seu ritmo "normal". E, segundo o gestor, esse ritmo "normal" da atividade, tem se mostrado mais fraco do que o estimado meses atrás. "O cenário de juros maiores está sendo desfeito", resume o especialista, lembrando que foi o próprio Banco Central que liderou esse movimento, ao reduzir o ritmo de alta da Selic e mostrar, por meio da ata, que já estaria pronto para encerrar o ciclo. O gestor lembra que o mercado ainda é permeado pela crença de que se o BC parar de subir os juros agora terá de fazer algum aperto residual em 2011. Mas os últimos dados sugerem que essa expectativa não faz mais sentido. Na gestão da dívida pública, o tesouro vendeu 9,5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) a R$ 8,01 bilhões. Também foram colocadas outras 2 milhões de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 1,89 bilhão. (Eduardo Campos | Valor)

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