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Mercado descarta nova alta na Selic

Contratos futuros de juros voltam a ter forte queda, sinalizando taxa de 10,66% para outubro

Valor Online |

Os contratos de juros de futuros voltaram a perder prêmio de risco de forma acentuada nesta quinta-feira e a curva já sugere que as apostas de uma nova alta na Selic estão próximas de zero. Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2010 apontava queda de 0,01 ponto, a 10,63%. Outubro de 2010, o mais liquido do dia e que concentra as apostas para a próxima reunião do Copom, recuava 0,03 ponto, a 10,66%. E janeiro de 2011 devolvia 0,04 ponto, a 10,70%.

Entre os longos, janeiro de 2012, perdia 0,06 ponto, a 11,22%, nova mínima para o ano. Janeiro de 2013 caía 0,05 ponto, 11,33%. E janeiro 2014 recuava 0,03 ponto, também a 11,31%. Até as 16h10, foram negociados 1.860.070 contratos, equivalentes a R$ 169,70 bilhões (US$ 96,90 bilhões), alta de 60% sobre o registrado na quarta-feira. O vencimento outubro de 2010 foi o mais negociado, com 554.555 contratos, equivalentes a R$ 59,79 bilhões (US$ 31,28 bilhões).

Segundo o sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin, se alguém tinha alguma dúvida sobre o encerramento do ciclo de política monetária, não tem mais. De acordo com o especialista, já havia vários sinais apontando para isso, a começar pela própria ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e as declarações recentes do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. 

Historicamente, lembra o especialista, quando o BC interrompe um ciclo de alta é que a taxa já está em patamar suficiente. Então, muito provavelmente, o próximo movimento é de queda na taxa básica. O inverso também é verdadeiro, ou seja, encerrado o movimento de baixa, o próximo movimento certamente será de alta. "Assim que o fim do ciclo for confirmado e conforme forem saindo dados mostrando que a inflação converge para a meta e a atividade roda em ritmo mais sustentável, essa curva vai fechar mais", diz o especialista.

Ainda de acordo com Franklin, o mercado parece estar se convencendo de que a visão do BC é mais correta quanto ao cenário externo. A influência é desinflacionária. O especialista também lembra que o governo tem uma carta na manga para enfrentar a inflação nos próximos 12 meses: a gasolina. O preço no mercado local está defasado em comparação com o mercado externo. Desta vez, a correção dessa defasagem significaria queda no preço do combustível. Pelas contas de Franklin, esse descompasso é de 15% no caso da gasolina na refinaria e de 10% na bomba. Já o diesel está 11% mais caro no mercado local do que no mercado externo, na bomba essa diferença seria de 8,5%.

Franklin lembra que o governo nunca se preocupou em repassar a volatilidade de preços internacionais para o mercado doméstico, mas tem certas linhas de defasagem em que ele vê obrigado a fazer o repasse, seja ele de alta ou de baixa. A questão é que a defasagem atual de 15% na gasolina, por exemplo, está bem próxima da média história que levou o governo a rever os preços. No caso atual, se essa defasagem continuar aumentando, por exemplo, as empresas passam a importar combustível ao invés de comprar da Petrobras. Trazendo esse debate para o horizonte de política monetária, se essa defasagem for zerada, os cálculos de Franklin apontam que a inflação recuaria em torno de 0,5%. Ou seja, o governo tem um vetor de baixa na inflação para ser utilizado quando ele achar conveniente. Fora esse impacto direto, o especialista lembra do impacto indireto sobre uma infinidade de produtos, em função do menor preço de frete doméstico.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 5,407 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), levantando R$ 4,48 bilhões. O lote todo somava 5,5 milhões de letras. Todas as 4 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F) foram vendidas, movimentando R$ 3,85 bilhões. E ainda foram colocadas 1 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), a R$ 4,33 bilhões. O resgate antecipado de NTN-Fs não teve propostas aceitas.

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